Economia

Com acordo de paz no radar, Copom corta Selic para 14,25% ao ano

Decisão foi unânime e marca o terceiro corte seguido; queda do petróleo após trégua no Oriente Médio aliviou pressão inflacionária
Corte da Selic pelo Copom: contexto de queda do petróleo após trégua

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central cortou a Selic em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (17), reduzindo a taxa básica de juros de 14,50% para 14,25% ao ano. A decisão foi unânime entre os membros do comitê.

É o terceiro corte consecutivo da taxa. A Selic chegou a 15% ao ano — o nível mais elevado em 20 anos — antes do atual ciclo de afrouxamento monetário. O acordo de paz entre Estados Unidos e Irã e a desaceleração da inflação em maio pavimentaram o caminho para a redução.

Geopolítica consolidou a expectativa de corte

O anúncio do acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã, na noite de domingo (14), foi o fator que cristalizou a expectativa de redução dos juros no mercado financeiro. Com a desobstrução do estreito de Ormuz, o preço do petróleo recuou no início da semana, aliviando a pressão sobre os combustíveis e, consequentemente, sobre a inflação.

Ainda pela manhã desta quarta, com o dólar em leve alta e o mercado de olho na Superquarta, analistas da XP já projetavam exatamente esse corte de 0,25 ponto percentual e alertavam para uma comunicação cautelosa do Copom, sem sinalização de novos passos — como antecipou o Tropiquim em cobertura sobre o comportamento do dólar antes da decisão.

Inflação em maio abriu margem para o Copom agir

O IPCA de maio registrou alta de 0,58% — abaixo dos 0,67% de abril —, confirmando uma trajetória de desaceleração que analistas consideraram positiva. O Copom indicou que vai calibrar a Selic à medida que a inflação avance em direção à meta estabelecida pelo sistema de metas vigente.

O IBC-Br divulgado na manhã desta quarta — a prévia do PIB utilizada pelo BC para calibrar decisões de política monetária — registrou avanço de 0,5% em abril. O Banco Central já havia sinalizado que aceita certa desaceleração da atividade econômica como condição para trazer a inflação à meta, conforme análise do Tropiquim sobre o desempenho do IBC-Br em abril.

Crédito subsidiado limita o ritmo de afrouxamento

A cautela no ritmo de corte — apenas 0,25 ponto percentual — tem raízes estruturais. A expansão do crédito direcionado subsidiado, que já responde por 43% de todos os empréstimos do país, obriga o Copom a manter a Selic mais elevada do que seria necessário em outras condições, como o Tropiquim documentou em análise sobre o crescimento do crédito subsidiado no governo Lula.

O ciclo que levou aos 15% ao ano

Na ata de sua última reunião, realizada em abril, o BC reconheceu que o chamado período prolongado de manutenção da Selic a 15% ao ano — o nível mais alto em 20 anos — gerou desaceleração da atividade econômica e criou as condições para que a redução atual seja compatível com a convergência das expectativas de inflação nos próximos anos.

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para conter as pressões inflacionárias, que afetam de forma mais intensa a população de menor renda. Juros menores tendem a baratear o crédito e estimular o consumo, mas o efeito real para as famílias depende do ritmo com que os bancos repassam as reduções nas taxas cobradas ao consumidor final.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Apple anuncia alta de preços por crise nos chips de memória

Câmara aprova anistia a caminhoneiros multados em bloqueios de 2022

Com acordo de paz no radar, Copom corta Selic para 14,25% ao ano

STF torna irrecorrível decisão sobre responsabilidade das big techs