O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso Nacional, classificou a rejeição de Jorge Messias no Senado como manobra eleitoral da oposição — não uma avaliação técnica do indicado.
Messias foi rejeitado na quarta-feira (29) com 42 votos contra e 34 a favor, placar que frustrou a tentativa do presidente Lula de emplacar o advogado-geral da União como ministro do STF na vaga deixada por Luís Roberto Barroso.
A indicação de Messias havia sido anunciada por Lula em novembro do ano passado, mas a mensagem formal ao Senado só foi enviada em 1º de abril deste ano. Na sabatina pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), realizada na véspera da votação, Messias defendeu o currículo, a ética dos magistrados e a credibilidade da Corte — discurso que Randolfe afirma não ter sido o verdadeiro critério dos senadores na hora de votar.
Eleições no centro da votação
Para o líder governista, o resultado foi determinado pela polarização eleitoral, não por méritos técnicos do candidato. “A votação de ontem não foi pautada pelo currículo do Dr. Jorge Messias, ela não foi pautada sequer pelo perfil do doutor Messias. A votação de ontem foi mobilizada, movimentada, polarizada pelo processo eleitoral”, afirmou Randolfe.
A derrota — 42 votos contra 34 — surpreendeu o Planalto, que havia trabalhado com projeções de até 48 votos favoráveis e considerava a aprovação praticamente garantida. Para ser aprovado, Messias precisava de ao menos 41 votos favoráveis no plenário do Senado.
Randolfe reconheceu que o governo já antecipava dificuldades com a oposição, mas não admitiu que o placar final era esperado. Na véspera da sabatina, enquanto o ministro Múcio confirmava presença como ato de apoio pessoal, Flávio Bolsonaro já articulava senadores para barrar o nome do AGU — movimentação que o líder governista agora enquadra como estratégia eleitoral da oposição.
Traição na base?
Questionado sobre a possibilidade de o governo ter sido traído durante as articulações para garantir os votos, Randolfe preferiu não entrar no assunto. Definiu o resultado como expressão do “papel preponderante de maior poder do Parlamento no exercício do Parlamento”.
A derrota expõe um desgaste do governo Lula às vésperas das eleições de outubro e deixa em aberto quem será o próximo indicado para ocupar a vaga no Supremo.
