O plenário do Senado Federal rejeitou nesta quarta-feira a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. O advogado-geral da União, escolhido pelo presidente Lula (PT), foi barrado com 42 votos contrários e 34 favoráveis.
A derrota surpreendeu o Palácio do Planalto, que apostava na aprovação. O governo prometeu nova indicação para a vaga no STF.
Boulos acusa aliança entre bolsonarismo e chantagem
O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, foi o mais enfático na avaliação do resultado. Para ele, o placar reflete uma “aliança entre bolsonarismo e chantagem política” — frase que resume a leitura do Executivo sobre as forças que operaram contra Messias no Senado.
Na véspera da votação, o senador Flávio Bolsonaro já articulava votos para barrar a aprovação — a ofensiva que Boulos descreveria como aliança entre bolsonarismo e chantagem política. O ministro da Defesa, Múcio, havia declarado apoio a Messias na sabatina, enquanto a oposição se mobilizava no sentido contrário.
O contraste entre as etapas do processo também chamou atenção: a CCJ havia aprovado Messias por 16 a 11 horas antes — resultado que alimentou o otimismo do Planalto antes do placar adverso no plenário.
Reações no governo
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), disse ter recebido o placar com “surpresa”. “Cada um vota como quer”, afirmou. Já Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso, atribuiu a derrota à “pressão do processo eleitoral” — em referência ao cenário de ano eleitoral que teria pesado nas decisões dos senadores.
Questionado sobre um possível papel do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), no resultado adverso, Randolfe descartou qualquer influência “em absoluto”. A declaração veio em meio a especulações sobre articulações nos bastidores da Casa.
Com a rejeição confirmada, o Executivo precisa recomeçar o processo de escolha para a vaga no Supremo. Randolfe garantiu que Lula fará nova indicação, sem antecipar nomes ou prazo.
A derrota expõe as dificuldades do governo em consolidar sua base no Senado em ano eleitoral, quando o cálculo de cada parlamentar tende a se sobrepor à disciplina de apoio ao Executivo.
