Política

Câmara derruba veto de Lula ao PL da Dosimetria por 318 a 144 votos

Com margem folgada, decisão segue ao Senado e pode encurtar pena de Bolsonaro em até quatro anos
Câmara em sessão votando para derrubar veto ao PL da Dosimetria, com Lula e Bolsonaro

A Câmara dos Deputados derrubou, nesta quinta-feira (30), o veto do presidente Lula ao PL da Dosimetria por 318 votos a 144 — placar bem acima dos 257 necessários para rejeitar a medida do Executivo.

O projeto reduz penas de condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023 e pode beneficiar ao menos 280 pessoas, entre elas o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses por tentativa de golpe.

A decisão agora vai ao Senado, que precisa de ao menos 41 votos para confirmar a derrubada.

O que muda com o projeto

O texto impede a soma das penas de dois crimes — abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado —, determinando que apenas a pena do crime mais grave seja aplicada, com acréscimo de um sexto até a metade.

A proposta também prevê redução de pena de um a dois terços quando os crimes ocorrerem em contexto de multidão, desde que o réu não tenha financiado os atos nem exercido liderança.

Bolsonaro está há pouco mais de um mês em prisão domiciliar por razões de saúde, mas segue formalmente em regime fechado. A Vara de Execuções Penais do Distrito Federal estima que ele só poderia avançar ao regime semiaberto em 2033. Especialistas calculam que, caso o projeto entre em vigor, esse prazo pode cair para entre dois e quatro anos.

A manobra de Alcolumbre

Antes da votação, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, adotou um movimento incomum: retirou da análise do Congresso um trecho do PL da Dosimetria que conflitava com a chamada Lei Antifação — norma que endureceu as regras de progressão de regime para condenados por crimes como feminicídio e hediondos.

Como o veto de Lula foi integral, o procedimento padrão seria votar o texto por completo. Alcolumbre declarou a “prejudicialidade” da seção problemática — um desmembramento sem precedente recente —, impedindo que a derrubada reintroduzisse normas mais brandas a crimes graves.

Na manhã desta quinta-feira, antes do resultado, a sessão conjunta já era apontada como termômetro da crise entre Planalto e Congresso — e a estratégia do governo de votar o texto em bloco não foi suficiente para conter a articulação da oposição.

Próximos passos e pressão sobre o STF

Se o Senado confirmar a derrubada com ao menos 41 votos, o texto será encaminhado para promulgação. O presidente Lula terá 48 horas para promulgar; em caso de omissão, a tarefa passará ao presidente do Senado e, em seguida, ao vice da Casa. Após promulgação e publicação oficial, a nova regra entra em vigor.

Mesmo promulgada, a lei poderá ser contestada no Supremo Tribunal Federal, que terá a palavra final sobre a constitucionalidade das mudanças.

A votação acontece em meio à crise aberta entre governo e Congresso. Na terça-feira (29), o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias para o STF — a primeira vez desde 1894 que um nome indicado ao Supremo é barrado pelo Legislativo.

O presidente da Câmara, Hugo Motta, havia sinalizado publicamente seu apoio à derrubada do veto e defendido o projeto como forma de “distensionar” as relações entre Congresso e STF — discurso que ganhou força diante da escalada dos conflitos institucionais nas semanas anteriores.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Governo acusa Alcolumbre de ‘golpe’ após Congresso derrubar veto ao PL da Dosimetria

Senado derruba veto de Lula ao PL da Dosimetria por 49 a 24

Confiança do consumidor mergulha no pessimismo e marca pior nível em 11 meses

Câmara derruba veto de Lula ao PL da Dosimetria por 318 a 144 votos