Deputadas federais protocolaram nesta quinta-feira (30) na Mesa do Congresso Nacional um pedido de CPMI para investigar o Banco Master. O requerimento, assinado por 181 deputados e 35 senadores, supera o mínimo constitucional exigido para a criação da comissão.
A iniciativa é das parlamentares Heloísa Helena (Rede-RJ) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS). O escopo previsto abrange irregularidades na gestão financeira, operações suspeitas, possível descumprimento de normas do sistema financeiro nacional e eventuais prejuízos a consumidores e ao interesse público.
Requisito constitucional cumprido — mas instalação pode atrasar
A Constituição determina a criação da CPMI quando os limites mínimos são atingidos: ao menos 171 deputados federais e 27 senadores. Com 181 e 35 assinaturas, o requerimento cruza esses patamares com margem. Após a leitura em sessão do Congresso pelo presidente Davi Alcolumbre (União-AP), os líderes partidários deverão indicar os membros da comissão para que a CPMI seja formalmente instalada.
A instalação, porém, pode ser postergada por articulações políticas — como atraso intencional na leitura do requerimento em plenário ou demora na indicação dos integrantes pelos partidos.
Alvos declarados: Vorcaro, governadores e nomes da direita
No documento, as deputadas defendem a investigação dos controladores da instituição e de possíveis conexões com agentes públicos e órgãos reguladores. Fernanda Melchionna foi direta ao nomear os alvos: “Queremos saber das relações de Daniel Vorcaro com os governadores Ibaneis Rocha e Claudio Castro, saber quem financiou o jatinho no qual Nikolas Ferreira viajou e saber tudo sobre as malas de dinheiro para a campanha de Bolsonaro. Esse escândalo que envolve toda a direita e extrema-direita não pode acabar em pizza.”
Heloísa Helena resumiu a posição com uma frase de efeito: “Cabe aqui a máxima do sertão: quem for podre, que se quebre.”
A Polícia Federal já havia revelado que o esquema fraudulento do Banco Master movimentou cerca de R$ 12 bilhões — dimensão que explica a pressão parlamentar por uma comissão de investigação mista no Congresso.
O pedido da CPMI não é o primeiro movimento parlamentar em torno do escândalo. Em fevereiro, o deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) havia protocolado na Câmara dos Deputados um requerimento de CPI para investigar o Banco Master, reunindo 201 assinaturas. A proposta previa apurar irregularidades nas operações financeiras da instituição controlada por Vorcaro e as negociações envolvendo a compra, pelo Banco de Brasília (BRB), de carteiras de crédito vendidas pelo banco.
O BRB já havia encaminhado à PF um relatório forense com indícios de gestão fraudulenta nas carteiras compradas do Master — exatamente o tipo de operação contemplado pelo requerimento da CPMI. A existência de dois pedidos distintos tramitando em paralelo aumenta a pressão política para que ao menos uma das frentes parlamentares seja efetivamente instalada.
A comissão mista tem a particularidade de reunir deputados e senadores sob o mesmo rito investigativo, o que amplia o alcance das convocações e o peso das conclusões. Além das operações financeiras em si, o requerimento prevê apurar possíveis conexões com órgãos reguladores e operações com potencial impacto sistêmico no sistema financeiro nacional.
