Política

Família brasileira é morta em bombardeio israelense no Líbano durante cessar-fogo

Itamaraty condena ataque que tirou a vida de mãe e filho de 11 anos; parente relata medo constante no sul do país
Collage com ruínas do Líbano e Jerusalém destacando brasileiros mortos ataque israelense Líbano

Uma mãe brasileira e seu filho de 11 anos morreram em um bombardeio israelense no distrito de Bint Jeil, no sul do Líbano, no domingo (26). O pai libanês da criança e uma diarista etíope que trabalhava na casa também foram mortos.

Um parente das vítimas, identificado como Nader, disse em entrevista à Globonews que “dorme e acorda com medo” — e classificou o cessar-fogo anunciado por Donald Trump de “mentiroso”.

O Itamaraty confirmou as mortes na segunda-feira (27) e classificou o ataque como mais uma das “reiteradas e inaceitáveis violações ao cessar-fogo” em vigor desde 16 de abril.

Quem eram as vítimas

A brasileira morta foi identificada como Manal Jaafar. O filho que não sobreviveu ao bombardeio é Ali Ghassan Nader, de 11 anos. Outro filho do casal foi socorrido e encaminhado ao hospital. A família estava em casa quando os ataques começaram, mesmo após o Exército israelense emitir alertas de evacuação para moradores de sete cidades e vilarejos da região.

O parente Nader sintetizou a destruição: “Agora não tem casa, nem terra nem nada. A família inteira foi.”

Cessar-fogo em vigor, ataques não param

O cessar-fogo entre Israel e Líbano entrou em vigor em 16 de abril — o mesmo acordo que Israel viola sistematicamente com novos bombardeios no sul do país. Trump prorrogou a trégua por mais três semanas no dia 23, após reunião em Washington, o que deveria mantê-la ativa até ao menos a segunda quinzena de maio.

Pelos termos do pacto firmado em abril, porém, Israel mantém o direito de realizar operações militares contra o Hezbollah mesmo durante a vigência da trégua — uma cláusula que, na prática, esvazia o significado do acordo.

Os dias anteriores ao ataque já acumulavam mortes: na quarta-feira (22), ao menos cinco pessoas morreram em um bombardeio israelense, incluindo uma jornalista libanesa de 43 anos. Na quinta-feira (23), o Hezbollah lançou foguetes contra o norte de Israel, que foram interceptados.

A embaixada brasileira em Beirute está em contato com os familiares das vítimas para prestar assistência consular, segundo o Ministério das Relações Exteriores.

Há semanas, militares brasileiros na Unifil — força de paz da ONU no Líbano — já relatavam a escalada na mesma região onde a família Jaafar-Nader vivia. Um oficial da Marinha brasileira havia descrito da sede da Unifil o avanço israelense pelo sul do Líbano, quando os bombardeios ainda não haviam atingido cidadãos brasileiros.

O governo brasileiro tem adotado postura firme. O Itamaraty defende que Israel retire imediatamente suas tropas do território libanês e que qualquer trégua regional inclua o Líbano, garantindo a soberania do país. O Brasil já cobrava essa extensão desde o início de abril — pedido que seguiu ignorado enquanto os bombardeios israelenses continuavam ceifando vidas de civis.

O caso da família reacende o debate sobre a vulnerabilidade de brasileiros em zonas de conflito e sobre o limite da diplomacia quando acordos de paz convivem com ofensivas militares formalmente previstas em suas próprias cláusulas.