O casal Ghassan Nader e Manal Jaafar e o filho Ali, de 11 anos, morreram no domingo (26) em um bombardeio israelense no distrito de Bint Jeil, no sul do Líbano.
A família era formada por libaneses naturalizados brasileiros que viveram cerca de 20 anos em Foz do Iguaçu, no Paraná, antes de retornar ao país de origem em 2010.
O Ministério das Relações Exteriores confirmou o ataque e classificou o bombardeio como mais uma “inaceitável violação ao cessar-fogo” vigente desde 16 de abril.
Vinte anos no Brasil, morte no sul do Líbano
Segundo Mohamad Ali Kassem Jaafar, irmão de Manal, a família chegou ao Brasil na década de 1990 e construiu vida em Foz do Iguaçu, onde concluiu o processo de naturalização. Permaneceu na cidade paranaense até 2010, quando uma visita ao Líbano se converteu em mudança definitiva após a morte de um familiar.
“Era para ser uma visita, mas o irmão dele faleceu e eles optaram por ficar. Mesmo assim, sempre mantiveram o amor pelo Brasil e ensinaram isso aos filhos”, relatou o irmão de Manal ao descrever a trajetória da família.
Com o agravamento do conflito no sul do Líbano, a família havia se deslocado temporariamente para Beirute. Ao saber do cessar-fogo anunciado em 16 de abril, decidiram retornar à casa em Bint Jeil — o mesmo acordo que o Brasil celebrou e que Israel voltou a violar no ataque que os matou.
Um dia antes do bombardeio, Mohamad visitou os parentes e passou a noite na residência. Ao saber do ataque, retornou ao local e encontrou a casa destruída. Os corpos de Ghassan e Manal ainda não foram encontrados. Ali, de 11 anos e nascido no Líbano, foi enterrado na segunda-feira (27).
Um filho do casal nascido em Foz do Iguaçu sobreviveu ao bombardeio. Outros dois filhos não estavam em casa no momento do ataque.
Brasil condena violações e cobra retirada israelense
O Itamaraty afirmou que “dezenas de civis libaneses, incluindo mulheres e crianças”, morreram nos ataques israelenses recentes. Ao todo, pelo menos 14 pessoas morreram e 37 ficaram feridas nos bombardeios de domingo (26) no sul do Líbano, segundo a agência francesa RFI.
“O Brasil reitera sua mais veemente condenação a todos os ataques perpetrados durante a vigência do cessar-fogo, tanto por parte das forças israelenses quanto do Hezbollah”, declarou o ministério. A embaixada brasileira em Beirute está em contato com os familiares sobreviventes para prestar assistência consular.
Desde o início das negociações de trégua, o Itamaraty já cobrava que o cessar-fogo fosse estendido ao Líbano, sinalizando a preocupação do governo brasileiro com os civis no país — incluindo os naturalizados que viviam na região. O Brasil também defende a retirada imediata das tropas israelenses do território libanês.
O cessar-fogo entrou em vigor em 16 de abril com duração inicial de dez dias. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prorrogou o acordo por mais três semanas após reunião em Washington. Mesmo assim, Israel e Hezbollah voltaram a trocar ataques durante a vigência da trégua.
A escalada de ataques israelenses no sul do Líbano não é novidade: em abril, um oficial da Marinha brasileira na Unifil já descrevia a tensão crescente na mesma região onde a família foi morta. Na quarta-feira (22), pelo menos cinco pessoas haviam morrido em outro bombardeio israelense no sul do Líbano, entre elas uma jornalista de 43 anos.