O dólar abriu em queda de 0,36% nesta terça-feira (31), cotado a R$ 5,2290, reagindo às sinalizações contraditórias do presidente Donald Trump sobre a guerra no Irã.
Ao mesmo tempo, o Brent disparou 2,8%, chegando a US$ 116 por barril, depois que o Irã atacou um petroleiro próximo a Dubai mesmo com negociações de paz em andamento.
No Brasil, o mercado aguarda os dados do Caged de fevereiro, com expectativa de criação de 270 mil vagas formais de emprego.
Irã ataca petroleiro enquanto negociações avançam
O cenário geopolítico permanece volátil. Trump voltou a pressionar o Irã, afirmando que o país deve reabrir o Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito transportados globalmente — ou enfrentar ataques a instalações de energia.
Ainda assim, o presidente sinalizou ao Wall Street Journal que aceitaria encerrar o conflito mesmo com o estreito fechado. O Paquistão anunciou que pretende sediar negociações nos próximos dias para tentar um acordo.
Na contramão, o Irã atacou um petroleiro próximo a Dubai nesta terça-feira e acusou os EUA de planejar uma ofensiva terrestre, enquanto reforça presença militar na região. O conflito já havia empurrado o petróleo acima de US$ 110 e fechado o Estreito de Ormuz quando a crise ganhou escala no início do mês, contexto que explica a nova alta do Brent a US$ 116 — com o WTI avançando 1,4%, a US$ 104,34.
Focus eleva projeção de inflação pelo terceiro mês seguido
O impacto do petróleo já aparece nas estimativas para a economia brasileira. O boletim Focus, do Banco Central, revisou a projeção do IPCA para 2026 de 4,17% para 4,31% — terceiro aumento consecutivo na previsão, refletindo a pressão dos combustíveis sobre os preços domésticos.
A taxa Selic foi mantida em 12,5% ao ano para o fim de 2026, com queda prevista a 10,50% até o fim de 2027. O PIB teve ajuste marginal de 1,84% para 1,85% neste ano. Para o câmbio, o mercado segue projetando o dólar a R$ 5,40 no encerramento de 2026.
Mercados globais sem direção única
Wall Street tentava recuperação nesta segunda-feira: Dow Jones subia 0,48%, S&P 500 ganhava 0,32% e Nasdaq avançava 0,19% — após a quinta semana seguida de perdas, a sequência mais longa em quase quatro anos.
Na Europa, as bolsas fecharam em alta generalizada. O FTSE 100 subiu 1,61%, o DAX avançou 0,88%, o CAC 40 ganhou 0,92% e o FTSE MIB cresceu 1,02%, em movimento de recuperação das perdas da semana anterior.
Na Ásia, o quadro foi mais adverso. O Nikkei despencou 2,8%, refletindo a forte dependência japonesa de energia importada via Estreito de Ormuz. O Hang Seng recuou 0,8%, enquanto o índice de Xangai subiu modestamente 0,2%.
Na semana passada, o petróleo havia despencado mais de 10% após Trump anunciar uma pausa de cinco dias nos ataques ao Irã — alívio que durou pouco diante do novo ataque a um petroleiro nesta terça-feira.
Nos EUA, investidores aguardam ainda o relatório JOLTS, que deve indicar cerca de 6,9 milhões de vagas abertas em fevereiro — dado relevante para avaliar a resistência do mercado de trabalho americano em meio à turbulência geopolítica.
