Economia

TCU leva ao Congresso o rombo bilionário dos Correios

Tribunal classifica estatal em Lista de Alto Risco e aponta perdas que podem chegar a R$ 23 bilhões em 2026
Crise financeira dos Correios apresentada ao Congresso por TCU: alerta de perdas bilionárias

O Tribunal de Contas da União (TCU) vai encaminhar ao Congresso Nacional informações sobre a crise financeira dos Correios — incluindo as causas do déficit, a evolução das despesas e possíveis falhas de governança.

A decisão atende pedido do deputado Evair Ferreira (PP-ES), feito diante de um prejuízo de R$ 4,4 bilhões registrado pela estatal no primeiro semestre de 2025.

O relator da matéria no TCU, ministro Walton Alencar, descreveu como “alarmante” a evolução das despesas administrativas e financeiras da estatal. Segundo ele, o tribunal já acompanha o caso há algum tempo.

Em 2024, os Correios foram incluídos na Lista de Alto Risco (LAR) do TCU, na categoria “Sustentabilidade Econômico-Financeira”. Para Alencar, a classificação representa “um dos mais altos níveis de alerta desta Corte”, com risco de comprometimento de serviços essenciais e impactos fiscais severos.

Déficit em espiral

O histórico de perdas da estatal é crescente: em 2022, o balanço fechou com prejuízo de R$ 700 milhões; em 2024, o rombo saltou para R$ 2,5 bilhões. O resultado de 2025 ainda não foi consolidado oficialmente.

Para manter as operações, os Correios fecharam um empréstimo de R$ 12 bilhões com cinco bancos — dos quais R$ 10 bilhões já foram liberados neste início de ano, após o Tesouro Nacional oferecer garantias. O dinheiro cobre dívidas imediatas e o custeio operacional, mas a empresa admite que pode precisar de mais R$ 8 bilhões ao longo de 2026.

Os Correios também contam com um aporte direto de capital previsto para 2027 — medida que, ao contrário do empréstimo, não exige devolução.

O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, alertou no fim de 2025 que o resultado negativo de 2026 pode atingir R$ 23 bilhões caso o ciclo de perdas não seja revertido — o equivalente a 12 trimestres consecutivos no vermelho.

Para enfrentar a situação, a empresa lançou um programa de reestruturação que prevê corte de R$ 2 bilhões em gastos com pessoal, venda de imóveis e fechamento de cerca de mil agências — reduzindo a rede atual de aproximadamente 5 mil unidades. A meta é economizar R$ 2 bilhões por ano a partir de 2027.

Mas os sinais de execução preocupam: o programa de demissão voluntária que integra o plano encerrou com apenas 3.075 adesões — 30% da meta, indicando que os cortes prometidos estão longe de se concretizar.

O cenário dos Correios se insere em um quadro mais amplo de deterioração fiscal nas estatais: as empresas federais acumularam déficit de R$ 4,16 bilhões apenas nos dois primeiros meses de 2026 — o pior resultado para o período desde 2002.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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