O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, agradeceu publicamente ao Irã nesta sexta-feira (17) pela reabertura do Estreito de Ormuz e declarou, em post na rede Truth Social, que a passagem está “totalmente aberta” e “pronta para a passagem total” de navios.
A liberação foi anunciada pelo regime iraniano horas antes e vale pelo período restante da trégua, que expira na próxima quarta-feira (22). O gesto é apontado como o primeiro aceno concreto de Teerã a um possível acordo pelo fim da guerra no Oriente Médio.
Dados do site de monitoramento marítimo Kpler já antecipavam a movimentação: três petroleiros iranianos deixaram o Golfo do Irã transportando 5 milhões de barris de petróleo bruto — os primeiros carregamentos desde o bloqueio norte-americano aos portos iranianos, decretado na segunda-feira (13).
A liberação desta sexta é o cumprimento tardio de um compromisso assumido em 7 de abril, quando o Irã confirmou o cessar-fogo e se comprometeu a reabrir a rota por duas semanas. Relembre como o cessar-fogo foi anunciado e o prazo negociado entre as partes.
A abertura “completa, imediata e segura” do estreito era, aliás, a condição explícita imposta por Trump para suspender os ataques ao Irã — exigência que Teerã agora, finalmente, cumpre de forma integral. Veja como Trump condicionou a suspensão dos ataques à abertura do Ormuz.
O Estreito de Ormuz é a única saída pelo mar do Golfo Pérsico, região que concentra grandes produtores de petróleo. Pelo canal, circulam navios responsáveis por transportar cerca de 20% de todo o petróleo e gás consumidos no mundo. Desde o início da guerra, no fim de fevereiro, o Irã mantinha a passagem fechada, com impacto direto nos mercados globais de energia.
No começo desta sexta, os líderes da França e do Reino Unido reuniram representantes de dezenas de países — sem a presença dos Estados Unidos — para debater planos de reabertura do estreito. A iniciativa europeia refletia a pressão internacional crescente sobre o impasse, mas o anúncio iraniano chegou poucas horas depois, esvaziando a necessidade de um plano alternativo coordenado.
O caminho até a reabertura não foi linear. Apenas seis dias antes, o Irã enfrentava um obstáculo militar grave: havia perdido o rastro das minas navais instaladas no estreito, com apenas seis navios cruzando a passagem em um único dia — contra os 140 habituais antes do conflito. Entenda como o problema com as minas atrasou a reabertura do Ormuz.
Agora, com a circulação retomada, o foco se desloca para as negociações. A trégua expira na quarta-feira (22) e qualquer avanço diplomático concreto precisará acontecer nos próximos dias — caso contrário, o risco de retomada das hostilidades e de um novo bloqueio à passagem mais estratégica do comércio global de energia voltará à mesa.
