Política

Irã perdeu rastro de minas e trava reabertura do Estreito de Ormuz

Trump acusa Teerã de trabalho 'desonroso' enquanto apenas 6 navios por dia cruzam rota que normalmente recebe 140
Mapa do Estreito de Ormuz mostrando bloqueio por minas navais, com Trump e Irã

O Irã não consegue reabrir plenamente o Estreito de Ormuz porque perdeu o controle sobre a localização das minas navais que instalou na região durante a guerra — e a admissão veio de dentro do próprio governo Trump, publicada pelo The New York Times nesta sexta-feira (10).

A revelação expõe a falha oculta do cessar-fogo assinado em 7 de abril: Teerã se comprometeu a liberar a rota estratégica, mas o problema militar criado por ela mesma impede o cumprimento.

O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo, opera agora com um gargalo severo. Dados de rastreamento divulgados pela Reuters mostram que, na quinta-feira (9), apenas seis navios cruzaram a passagem — contra os aproximadamente 140 que transitam em condições normais.

A lentidão irritou Washington, que incluiu a reabertura do estreito como condição explícita da trégua. Donald Trump não poupou palavras: em publicação na rede Truth Social na quinta, o presidente americano afirmou que o Irã realiza um trabalho “muito ruim” e “desonroso” no estreito.

Do lado iraniano, o vice-ministro das Relações Exteriores, Saeed Khatibzadeh, garantiu que o estreito está aberto, mas com restrições de passagem. A Guarda Revolucionária coordena o tráfego marítimo e orienta as embarcações a navegar pelas águas ao redor da Ilha de Larak para contornar áreas minadas — entrando ao norte e saindo ao sul da ilha. Na prática, mesmo navios com autorização foram impedidos de cruzar nas últimas semanas.

O Irã instalou cerca de uma dúzia de minas navais no estreito em meados de março — artefatos cujos paradeiros o próprio governo iraniano já não consegue mapear por completo, segundo autoridades americanas.

A situação ganhou nova camada de instabilidade na quarta-feira (8), quando Teerã voltou a fechar o estreito em resposta a bombardeios de Israel sobre o Líbano. Israel argumentou que nem o Líbano nem o Hezbollah integravam o cessar-fogo — posição que contradiz a declaração do Paquistão, mediador da trégua.

Quando a inteligência americana detectou o início do minamento, Trump ameaçou destruir qualquer embarcação iraniana envolvida na operação — mas o problema das minas fora de controle ficou para ser enfrentado após o cessar-fogo.

O arsenal iraniano de minas é expressivo: estimativas apontam estoques entre 2 mil e 6 mil unidades. Ainda assim, segundo o Strauss Center for International Security and Law, da Universidade do Texas, dificilmente uma única mina seria capaz de afundar um navio de grande porte, como um petroleiro — embora pudesse causar danos severos à embarcação.

Teerã também sinalizou que pretende cobrar pedágio das embarcações que cruzarem o estreito para cobrir os custos da guerra — mais um obstáculo à normalização do tráfego marítimo na região.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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