A Petrobras anunciou nesta segunda-feira (16) que exercerá seu direito de preferência para comprar a fatia de 50% da Petronas nos campos de Tartaruga Verde e Espadarte (Módulo III), na Bacia de Campos, por US$ 450 milhões.
Com a operação, a estatal brasileira voltará a controlar 100% dos ativos e manterá a operação dos campos, que produzem cerca de 55 mil barris de óleo por dia.
A decisão derrubou um acordo firmado em janeiro pela Brava Energia com a Petronas — empresa nacional da Malásia — para a compra das mesmas participações.
Os campos de Tartaruga Verde e Espadarte (Módulo III) estão conectados ao FPSO Cidade de Campos dos Goytacazes, um navio-plataforma que produz, armazena e transfere petróleo na Bacia de Campos. A aquisição vai além da simples recompra de participação: segundo fonte ouvida pela Reuters, a operação permitirá à Petrobras conectar outros poços no campo de Tartaruga Verde aos novos ativos, ampliando o potencial produtivo da área.
Pagamento em parcelas
O valor total de US$ 450 milhões será desembolsado de forma escalonada: US$ 50 milhões na assinatura do contrato, US$ 350 milhões no fechamento da operação — sujeito a ajustes pela data efetiva da transação — e mais duas parcelas de US$ 25 milhões cada, vencíveis em 12 e 24 meses após o fechamento. A Petrobras indicou que a assinatura ocorrerá em breve.
A operação ganha peso estratégico pela descoberta da Petrobras nas proximidades do bloco Sudoeste de Tartaruga Verde, anunciada em novembro. Sylvia Anjos, diretora de Exploração e Produção da companhia, qualificou o achado como “maravilhoso” — e o controle pleno dos campos adjacentes abre caminho para integrar a nova área ao complexo produtivo existente.
A movimentação é coerente com o ciclo de expansão da estatal: em 2025, a Petrobras destinou 84% de seus investimentos à exploração e produção, adicionando 585 mil barris por dia de nova capacidade e acumulando caixa suficiente para consolidar ativos estratégicos como estes, que sustentaram o lucro recorde de R$ 110,1 bilhões.
O negócio expõe uma disputa silenciosa entre dois pesos pesados do setor de energia brasileiro. Em janeiro, a Brava Energia havia formalizado acordo com a Petronas para adquirir as mesmas participações, apresentando a operação como parte de sua “estratégia de longo prazo”. A Petrobras exerceu seu direito contratual de preferência e enterrou o negócio antes que ele se concretizasse.
Nem a Brava nem a Petronas responderam imediatamente sobre os impactos da decisão da estatal no acordo anterior. A Petrobras também não se manifestou ao pedido de comentário da Reuters no momento da publicação.
Do ponto de vista geopolítico, a operação representa o encerramento da participação da Petronas — braço estratégico da Malásia no setor energético global — em campos brasileiros de referência. A retomada do controle integral pela Petrobras consolida a presença nacional sobre ativos críticos da Bacia de Campos, região que concentra parcela relevante da produção de petróleo do país.