A Petrobras assinou nesta sexta-feira (17) contrato para adquirir 75% do bloco 3 offshore de São Tomé e Príncipe, na África, assumindo também a operação do campo. A vendedora é a petrolífera Oranto, que manterá 15% do consórcio. Os outros 10% ficam com a Agência Nacional do Petróleo de São Tomé e Príncipe (ANP-STP).
O valor da transação não foi revelado. A conclusão do negócio ainda depende do cumprimento de etapas contratuais.
A movimentação faz parte de uma retomada deliberada da estatal brasileira no continente africano. Desde 2024, a Petrobras voltou a investir em blocos na região — e a operação desta sexta consolida esse reposicionamento com uma posição de comando, não apenas como sócia minoritária.
Assumir a operadoria significa que caberá à Petrobras a gestão técnica e operacional do bloco 3, incluindo decisões sobre exploração e eventual desenvolvimento de reservas. É um nível de responsabilidade e influência diferente do que ter apenas participação societária.
A aquisição em São Tomé e Príncipe aprofunda a estratégia de expansão internacional da Petrobras, que em março já havia confirmado nova reserva de gás em bloco offshore da Colômbia — sinalizando um eixo de crescimento fora do Brasil retomado desde 2024.
São Tomé e Príncipe é um arquipélago no Golfo da Guiné, região com histórico de interesse das grandes petrolíferas. A presença da ANP-STP no consórcio — com 10% — reflete o modelo de participação estatal do país anfitrião, comum em contratos de exploração offshore na África.
A Petrobras não detalhou o cronograma de atividades previstas para o bloco 3 nem projeções de reservas. A companhia também não informou se há planos de ampliar sua atuação em outros blocos na mesma região a curto prazo.
A expansão africana ocorre em paralelo à manutenção das operações no pré-sal brasileiro, onde a estatal concentra sua maior produção. A expertise técnica em águas profundas, desenvolvida no Brasil, é considerada o principal ativo que sustenta essa projeção internacional.
