Duas turistas australianas morreram no Laos após intoxicação por metanol, episódio semelhante ao ocorrido no Brasil, onde duas pessoas morreram e dez foram hospitalizadas. O metanol, diferente do etanol presente em bebidas alcoólicas, é altamente tóxico e pode ser fatal mesmo em pequenas doses.
Especialistas explicam as diferenças químicas entre os dois álcoois e destacam a importância de cuidados ao consumir bebidas, especialmente em regiões onde a fiscalização é falha.
Entenda a diferença entre metanol e etanol
Metanol e etanol são álcoois incolores e inflamáveis, mas possuem estruturas químicas distintas: o metanol tem um átomo de carbono, enquanto o etanol possui dois. Essa diferença faz com que o metanol seja processado de forma muito mais tóxica pelo organismo humano. O metanol é usado em produtos como líquidos de limpeza de para-brisas, anticongelantes e combustíveis, não sendo seguro para consumo humano.
Por que o metanol é tão perigoso?
O perigo do metanol reside em seu metabolismo. Enquanto o etanol é convertido em acetato, que pode ser utilizado pelo corpo, o metanol se transforma em formaldeído e depois em ácido fórmico, substância que envenena as mitocôndrias das células. Isso pode levar a acidose metabólica grave, depressão do sistema nervoso central, coma, danos irreversíveis à retina e até morte.
Mesmo pequenas quantidades podem causar sequelas graves, como perda permanente da visão, se o tratamento não for rápido.
Como ocorre a contaminação e quais os tratamentos
O metanol pode contaminar bebidas alcoólicas, principalmente destilados e fermentados artesanais, seja por adição ilegal para aumentar o teor alcoólico ou por processos de fabricação inadequados. Métodos tradicionais de produção, dependendo dos microrganismos e materiais usados, também podem gerar níveis tóxicos de metanol.
Tratamento e prevenção
O tratamento inclui suporte ventilatório, uso de fomepizol para inibir a formação de ácido fórmico e diálise para remover o metanol do corpo. A rapidez no atendimento é crucial para evitar sequelas permanentes ou morte.
Autoridades recomendam cautela ao consumir bebidas em regiões com fiscalização precária. O site Smartraveller, do governo australiano, orienta a evitar coquetéis de origem duvidosa, dar preferência a estabelecimentos licenciados e optar por cervejas comerciais para reduzir riscos.