O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, anunciou nesta terça-feira (30) a criação de um gabinete de crise para combater a adulteração de bebidas alcoólicas com metanol, responsável por ao menos três mortes no estado. Estabelecimentos onde as bebidas contaminadas foram consumidas serão interditados cautelarmente. A Polícia Federal e o Ministério da Justiça também abriram investigações para rastrear a origem do metanol e possíveis conexões interestaduais.
Casos de intoxicação e ações do governo
O estado de São Paulo investiga atualmente 22 casos de intoxicação por metanol, sendo cinco deles já confirmados em pessoas que consumiram bebidas alcoólicas adulteradas, segundo o governo paulista. O governador Tarcísio de Freitas afirmou que o gabinete de crise contará com representantes da Secretaria de Segurança Pública e da Saúde, e terá como uma de suas primeiras medidas a interdição de estabelecimentos ligados aos casos confirmados ou suspeitos.
“Há, de fato, um problema estrutural que não é só do estado de São Paulo, é do Brasil. Temos que pensar como fazer a fiscalização e diminuir a incidência dessas bebidas adulteradas, clandestinas. É um problema de saúde pública e econômico”, declarou Tarcísio. O governo também instaurou cinco inquéritos policiais para investigar as mortes suspeitas, das quais uma já foi confirmada como causada por metanol.
Investigação federal e riscos à saúde
O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, informou que a Polícia Federal abriu investigação para apurar a origem do metanol utilizado na adulteração das bebidas. A substância, altamente tóxica, pode causar morte e sintomas como cólica intensa e perda de visão. Falsificadores utilizam garrafas de marcas famosas, como gin e vodca, para inserir o metanol e revender o produto adulterado.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o número elevado de casos em São Paulo foge do padrão nacional, já que normalmente o país registra cerca de 20 casos por ano. “A partir de setembro, foi quase metade das notificações que costumam ter no ano e concentrado apenas em São Paulo, o que chama atenção”, afirmou Padilha.
Alerta nacional e medidas de fiscalização
O governo federal emitiu alerta nacional por meio de seu sistema de monitoramento de intoxicações de causas desconhecidas, após o aumento dos casos em São Paulo. A Secretaria de Defesa do Consumidor publicou nota técnica orientando estabelecimentos a redobrar a atenção com bebidas de rótulos ou embalagens suspeitas. A fiscalização já foi intensificada, e os locais identificados com bebidas contaminadas serão notificados para que informem seus fornecedores e detalhem a origem dos produtos manipulados.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, não descartou a possibilidade de envolvimento do crime organizado, mencionando investigações anteriores sobre importação de metanol pelo porto de Paranaguá. “A investigação dirá se há conexão com o crime organizado”, declarou Rodrigues. Já o secretário da Segurança Pública de SP, Guilherme Derrite (PL), diverge dessa hipótese.
O Ministério da Saúde prepara nota técnica para orientar profissionais sobre identificação e manejo dos casos suspeitos, sem necessidade de aguardar diagnóstico final para notificação. O país conta com 32 centros de informação e assistência toxicológica do SUS para atendimento à população.