Saúde

Ministério da Saúde busca criar reserva de antídoto contra intoxicação por metanol

Governo negocia com OMS e Opas aquisição de fomepizol após aumento de casos graves em São Paulo

O Ministério da Saúde negocia com a Organização Mundial da Saúde para criar uma reserva estratégica do antídoto fomepizol, usado em casos de intoxicação por metanol. A medida ocorre após aumento de ocorrências graves em São Paulo, onde 22 casos já foram contabilizados. O medicamento não possui registro no Brasil e seu uso depende de importação internacional.

O ministro Alexandre Padilha destacou que o SUS já dispõe de etanol farmacêutico, porém restrito a centros especializados. A pasta também determinou a notificação obrigatória de casos suspeitos em todo o país.

Casos recentes de intoxicação e resposta das autoridades

O aumento de casos de intoxicação por metanol em São Paulo levou o governo a reforçar protocolos e buscar alternativas para ampliar o acesso a antídotos. Bruna Araújo de Souza, de 30 anos, está internada em estado grave em São Bernardo do Campo após ingerir um combo de vodca com suco de pêssego. Ela recebeu antídoto, passou por hemodiálise e permanece entubada. “A visão está muito prejudicada”, relatou sua irmã.

Outro caso grave envolve Radharani Domingos, de 43 anos, designer de interiores, que ficou cega após consumir vodca adulterada em um bar nos Jardins, interditado nesta terça-feira. Ela teve alta da UTI e segue em recuperação.

Além desses, o governo paulista já contabiliza 22 ocorrências relacionadas à substância, incluindo suspeitas e confirmações. Mais de 800 garrafas de bebidas foram apreendidas em fiscalizações na capital e região metropolitana, com estabelecimentos interditados em bairros como Jardins, Mooca e São Bernardo do Campo.

Antídotos disponíveis e limitações

Atualmente, há dois produtos usados como antídoto para intoxicação por metanol: etanol farmacêutico, disponível apenas nos 32 centros de referência em intoxicação do SUS, e fomepizol, que não está registrado no Brasil. O fomepizol, considerado mais eficaz e com menos efeitos colaterais, consta na lista de medicamentos essenciais da OMS, mas precisa ser importado.

O ministro Padilha afirmou que negocia com a Opas para viabilizar a aquisição do fomepizol e reforçar os estoques nacionais. “Estamos demandando da Organização Pan-Americana de Saúde para pensar uma forma da Opas fazer a aquisição desse produto para termos uma espécie de reserva nesses centros especializados no Brasil”, disse.

Fiscalização, interdições e orientações

As autoridades intensificaram a fiscalização após a suspeita de venda de bebidas adulteradas com metanol. Mais de 800 garrafas foram apreendidas em São Paulo entre segunda (29) e terça-feira (30), e bares como o Ministrão, Torres e um estabelecimento em São Bernardo do Campo foram interditados. Em Mogi das Cruzes, 80 garrafas suspeitas foram recolhidas, e em Americana, uma operação resultou em duas prisões e apreensão de 17,7 mil bebidas.

O Ministério da Saúde determinou que profissionais notifiquem casos suspeitos de intoxicação por metanol e anunciou uma nota técnica com orientações específicas. O etanol farmacêutico, usado como antídoto, só pode ser administrado por médicos e está disponível para envio aos centros especializados, que oferecem suporte no diagnóstico, tratamento e toxicovigilância.

Processo de registro e protocolos

O registro de medicamentos no Brasil depende de solicitação de empresas junto à Anvisa. Até o momento, nenhuma farmacêutica manifestou interesse em registrar o fomepizol. O ministério mantém protocolos e um manual de vigilância para orientar profissionais de saúde sobre notificação e manejo de casos suspeitos.

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