Política

Fux suspende mudança na composição da Câmara dos Deputados para 2026 após pedido de Alcolumbre

Decisão do STF mantém número de deputados federais inalterado até 2030 enquanto Congresso analisa veto de Lula ao aumento de vagas

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, atendeu ao pedido do senador Davi Alcolumbre e suspendeu a aplicação imediata da decisão que obrigava a redistribuição das vagas da Câmara dos Deputados.

A medida mantém o número de deputados federais por estado para as eleições de 2026 igual ao de 2022, até que o Congresso conclua a análise do veto do presidente Lula ao projeto que ampliava o total de cadeiras.

Entenda a decisão do STF

Em 2023, o Supremo Tribunal Federal determinou que o Congresso Nacional deveria atualizar, até 30 de junho deste ano, o tamanho das bancadas estaduais na Câmara dos Deputados com base nas mudanças populacionais apontadas pelo último Censo do IBGE. A Constituição exige que a representação seja proporcional à população de cada estado, mas a quantidade de deputados foi definida com dados de 1985.

O Congresso, tentando cumprir a ordem judicial, aprovou uma proposta que aumentava de 513 para 531 o número de deputados federais, evitando que estados perdessem cadeiras. No entanto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou integralmente o projeto, e o veto ainda aguarda análise em sessão conjunta de deputados e senadores.

O senador Davi Alcolumbre argumentou ao STF que, enquanto o veto não for apreciado, o processo legislativo não está encerrado e não se pode revisar as bancadas para 2026. O ministro Fux concordou, determinando que as mudanças só ocorram a partir de 2030, para garantir segurança jurídica e estabilidade ao processo eleitoral.

Disputa entre aumento e redistribuição

A decisão do STF previa que o número de vagas permanecesse em 513, mas com redistribuição entre os estados conforme o Censo. Projeções indicavam que sete estados, incluindo a Paraíba, perderiam cadeiras, enquanto outros ganhariam. Caso o Congresso não fizesse a redistribuição, caberia ao TSE aplicá-la.

Para evitar perdas, lideranças da Câmara propuseram ampliar o total de deputados, beneficiando nove estados e evitando cortes. O projeto foi aprovado, mas Lula vetou diante da repercussão negativa. Para derrubar o veto e restabelecer o aumento, são necessários 257 votos de deputados e 41 de senadores, um quórum considerado difícil. A análise do veto depende de agendamento por Davi Alcolumbre.

Enquanto isso, permanece válida para 2026 a atual proporcionalidade das bancadas estaduais, com eventuais mudanças adiadas para 2030, após conclusão do processo legislativo.

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