O governo brasileiro decidiu adiar a decisão sobre a aplicação da Lei de Reciprocidade contra os Estados Unidos, após o aceno de uma possível conversa entre os presidentes Lula e Donald Trump.
A discussão, que estava prevista para votação no Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior, foi retirada da pauta na última semana.
Fontes diplomáticas apontam que a aproximação entre os líderes motivou a cautela para não prejudicar o diálogo bilateral.
Contexto e bastidores da decisão
A Lei de Reciprocidade Econômica permite ao Brasil impor restrições comerciais a países que adotem barreiras contra produtos brasileiros. O tema ganhou relevância após o governo Trump impor tarifas de 50% sobre produtos do Brasil, levando o Ministério das Relações Exteriores a acionar a Câmara de Comércio Exterior (Camex) para avaliar possíveis retaliações.
Segundo o cronograma, o Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Camex teria 30 dias para apresentar um relatório e definir a estratégia de resposta. Na semana passada, o Gecex chegou a se reunir para deliberar sobre o tema, mas a aplicação da lei aos EUA acabou não sendo votada.
O adiamento foi influenciado por tratativas de bastidor da diplomacia brasileira, que buscava criar espaço para um diálogo evoluir entre os dois países. Além disso, integrantes do Gecex temiam novas sanções dos EUA caso a reciprocidade fosse adotada.
Repercussões e próximos passos
O adiamento da decisão ganhou ainda mais destaque após declarações de Donald Trump na Assembleia Geral da ONU, onde afirmou ter tido uma conversa rápida com Lula e que ambos acordaram em conversar nesta semana.
Especialistas avaliam que a cautela pode favorecer um ambiente mais propício às negociações comerciais e diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. A possibilidade de um encontro direto entre Lula e Trump, considerada improvável até semanas atrás, levou diplomatas a defenderem que o Brasil evite qualquer sinalização de retaliação neste momento sensível.
Uma nova reunião da Camex pode acontecer ainda esta semana para reavaliar o tema, mas a tendência é de que o governo continue priorizando o diálogo bilateral antes de tomar medidas de retaliação.