O presidente Donald Trump ligou pessoalmente para Luiz Inácio Lula da Silva na última sexta-feira (1º) para propor um encontro presencial em Washington. A conversa durou 40 minutos e foi descrita por fontes do governo brasileiro como amistosa.
Durante o telefonema, Trump disse admirar a trajetória política de Lula e afirmou ter pesquisado sobre a vida do presidente brasileiro. Ao encerrar, despediu-se de forma informal com um “I love you” — “eu te amo”, em inglês.
O encontro entre os dois presidentes está marcado para esta quinta-feira (7), na Casa Branca.
Segundo interlocutores, Trump se mostrou receptivo à agenda proposta por Lula. O presidente brasileiro disse querer tratar de interesses mútuos, incluindo conflitos internacionais e o papel da ONU — e Trump respondeu que tem interesse em ouvir as opiniões do petista sobre esses temas.
Lula se colocou à disposição para viajar aos Estados Unidos ainda durante a ligação. O aval à data do encontro veio já no dia seguinte, conforme fontes da diplomacia brasileira.
A Casa Branca confirmou a reunião para as 11h desta quinta-feira (7), com pauta que deve incluir PIX, etanol, minerais críticos e a situação na Venezuela — temas que Lula sinalizou querer tratar ao se oferecer para a viagem durante o telefonema.
A reunião é vista por fontes da diplomacia brasileira como um passo para normalizar as relações comerciais entre os dois países, após um período de incertezas e tarifas de importação. Um auxiliar do presidente resumiu a expectativa: o encontro tende a ser “mais um ponto de partida do que um ponto de chegada” em termos de acordos concretos.
Do atrito ao “I love you”: o caminho até Washington
O telefonema da última sexta não aconteceu num vácuo. A viagem a Washington é fruto de um processo de aproximação que ganhou tração em 26 de janeiro de 2026, quando Lula e Trump conversaram por cerca de 50 minutos. Na ocasião, o presidente brasileiro manifestou desejo de ir a Washington para um encontro “olho no olho” — mas a guerra no Oriente Médio atrasou a definição da agenda por meses.
O telefonema amistoso aconteceu sobre um pano de fundo de atrito: a prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem pelo ICE e a subsequente expulsão cruzada de policiais dos dois países haviam estremecido a relação bilateral nas semanas anteriores à ligação.
O cancelamento do visto do assessor Darren Beattie e os ruídos em torno do caso Ramagem somaram-se às divergências estruturais entre os dois líderes, tornando o ambiente diplomático consideravelmente mais complexo.
O tom cordial da ligação contrasta com declarações recentes do próprio Lula: em entrevista à revista Der Spiegel, o presidente havia chamado Trump de “imperador” e afirmado que ele “não pode ficar ameaçando outros países com guerra o tempo todo”. A escalada retórica parece ter ficado para trás — ao menos enquanto durar a diplomacia do encontro.
