O presidente Luiz Inácio Lula da Silva parte para Washington nesta quarta-feira (6) para um encontro oficial com Donald Trump na quinta (7), o primeiro cara a cara entre os dois líderes.
Na pauta: a reversão das tarifas americanas sobre produtos brasileiros, a situação na Venezuela e parcerias em minerais críticos e terras raras.
O encontro chega em meio a uma crise diplomática recente, gerada pela prisão e soltura do ex-deputado Alexandre Ramagem pelos EUA e a expulsão cruzada de policiais dos dois países.
Da ligação telefônica à viagem a Washington
O caminho até a Casa Branca começou em 26 de janeiro de 2026, quando Lula e Trump conversaram por cerca de 50 minutos ao telefone — contato que deu tração ao processo de aproximação bilateral, após anos de distância.
O encontro estava marcado para março, mas o agravamento das tensões no Oriente Médio, com EUA, Israel e Irã, deslocou as prioridades da agenda americana e adiou a data.
No plano econômico, o governo brasileiro quer reverter o tarifaço imposto por Trump a produtos nacionais — a principal divergência comercial entre os dois países no momento.
Ramagem, o ICE e a crise que antecede a reunião
O ex-presidente da Abin Alexandre Ramagem foi preso pelo ICE em 13 de abril e solto dois dias depois. Condenado pelo STF por integrar o núcleo da trama golpista, ele fugiu do Brasil em setembro do ano passado e mora nos EUA, onde pediu asilo político — processo ainda não concluído.
Após a soltura, Ramagem agradeceu publicamente ao governo Trump, fato que aprofundou o mal-estar entre Brasília e Washington semanas antes da reunião prevista.
O impasse cresceu quando Washington determinou a saída de um delegado da Polícia Federal que atuava junto ao ICE. O episódio travou o processo de extradição de Ramagem e estremeceu a relação bilateral. Em resposta, o Brasil retirou as credenciais de um colaborador norte-americano, aplicando o princípio da reciprocidade.
Segurança, derrotas no Congresso e tom diplomático oscilante
A pauta bilateral também inclui cooperação no combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro — tema que avançou em reuniões técnicas realizadas em abril. Paralelamente, o governo Lula trabalha para evitar que os EUA incluam facções como o Comando Vermelho e o PCC na lista americana de organizações terroristas internacionais.
No âmbito interno, a viagem ocorre após um momento de desgaste político. O Congresso impôs duas derrotas ao presidente na semana passada: rejeitou a indicação de Jorge Messias ao STF e derrubou o veto presidencial ao PL da Dosimetria.
A relação entre Lula e Trump também passou por altos e baixos nos últimos meses. O presidente brasileiro criticou os ataques americanos ao Irã, elevando o tom das declarações. Recentemente, porém, recuou ao manifestar solidariedade a Trump depois que o republicano foi vítima de um atentado durante o jantar dos correspondentes em Washington na semana passada.
