Política

Lula desembarca em Washington com agenda cheia e acordos longe do horizonte

Crime organizado, minerais críticos e disputa comercial moldam encontro com Trump na Casa Branca
Reunião de Lula e Trump na Casa Branca: bilateral sobre comércio, minerais críticos e crime organizado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca nesta quarta-feira (6) rumo a Washington para seu primeiro encontro presencial com Donald Trump, previsto para a Casa Branca na quinta-feira (7).

A reunião foi adiada desde março por causa da guerra no Oriente Médio e não deve produzir acordos fechados — fontes da diplomacia brasileira descrevem o encontro como “mais um ponto de partida do que um ponto de chegada”.

Na mesa: normalização das relações comerciais, combate ao crime organizado, exploração de minerais críticos e a situação de Venezuela, Cuba e do Oriente Médio.

Tensões que antecederam a viagem

A aproximação entre Lula e Trump ganhou tração em 26 de janeiro de 2026, quando os dois presidentes conversaram por telefone por cerca de 50 minutos. Lula manifestou interesse em visitar Washington já em março, mas a guerra no Oriente Médio travou a agenda.

No intervalo, novos atritos complicaram a relação bilateral: o cancelamento do visto do assessor americano Darren Beattie e o episódio envolvendo Alexandre Ramagem — preso e solto — adicionaram ruído diplomático a uma parceria já marcada por divergências ideológicas.

PIX e etanol na mira americana

O pano de fundo econômico da cúpula é a investigação aberta pelos EUA com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Washington alega práticas desleais envolvendo o PIX e o etanol, além de restrições históricas ao acesso de exportadores americanos. Em abril, delegações dos dois países já haviam se reunido em Washington para negociar o impasse — mecanismo que aponta o PIX e o etanol como barreiras a empresas americanas.

Lula tem repetido publicamente que “ninguém” vai fazer o Brasil mudar o PIX. Nos bastidores, porém, a orientação é negociar e buscar consenso para evitar sanções que agravem o cenário comercial.

Minerais críticos: soberania em pauta

O Brasil detém a segunda maior reserva de minerais críticos e terras raras do mundo e quer explorar esse trunfo com controle nacional, transferência de tecnologia e preservação da soberania. O governo já sinalizou que não vai aderir à aliança proposta pelos EUA para o setor, apostando em acordos bilaterais. Às vésperas da viagem, a Câmara aprovou o marco regulatório dos minerais críticos com sinal verde do Planalto — um trunfo diplomático que Lula leva à mesa com Trump.

Um acordo firmado pelo governo de Goiás diretamente com os EUA para exploração de minerais também deve entrar na pauta. O Ministério do Desenvolvimento classificou a iniciativa como juridicamente inválida: o subsolo pertence à União, que detém competência exclusiva para regular a atividade mineral e firmar acordos internacionais.

Programa anticrime como cartão de visita

O tema do crime organizado foi proposto pelo próprio Lula numa ligação com Trump em dezembro de 2025. O presidente brasileiro sugeriu cooperação bilateral no combate à lavagem de dinheiro. Os EUA responderam com uma contraproposta controversa: que o Brasil recebesse em suas prisões estrangeiros capturados nos Estados Unidos, nos moldes do que faz El Salvador. O governo brasileiro rejeitou a ideia.

Washington também exigiu que o Brasil apresentasse um plano para desmantelar o PCC, o Comando Vermelho, o Hezbollah e organizações criminosas chinesas em território nacional. O governo americano vem discutindo classificar o PCC e o Comando Vermelho como grupos terroristas — interpretação que, por regras internas, justificaria até medidas unilaterais com uso de força militar.

Em resposta, o governo planeja lançar na próxima semana o Brasil Contra o Crime Organizado, programa com ações de forças federais e estaduais para recuperar territórios dominados por facções e endurecer regras no sistema prisional. A apresentação da iniciativa ao governo americano é vista internamente como forma de demonstrar o comprometimento brasileiro no tema antes que a negociação bilateral avance.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
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