Plantas tóxicas presentes em pastagens representam risco grave para o gado, podendo causar intoxicações e mortes. A identificação e o controle dessas espécies são essenciais para evitar prejuízos aos produtores. Técnicas como roçada, uso de herbicidas e revezamento de pasto são estratégias adotadas para combater o problema.
Perigos das plantas venenosas nas pastagens
O consumo de plantas tóxicas pelo gado pode desencadear intoxicações agudas, distúrbios digestivos, alterações neurológicas e até a morte dos animais. A presença dessas espécies reduz a produtividade e compromete a qualidade da carne e do leite. Entre as plantas mais perigosas estão a erva-de-rato (ou cafezinho), maria-mole, samambaia-do-campo e cicuta (funcho selvagem), que devem ser mantidas longe do alcance do rebanho.
Segundo o médico veterinário Ronerio Bach, “as plantas que causam morte súbita não vão deixar muitos sintomas nítidos, somente a presença do veterinário e, de acordo com a avaliação dele, a necessidade de uma necrópsia para definir exatamente. Outras plantas podem apresentar sintomas como diarreia, constipação, dificuldade de alimentação e sinais ligados a doenças do fígado e rim”.
A subnotificação de mortes por ervas tóxicas dificulta a comprovação dos casos. “Existem estudos que mostram até 15% de toda a mortalidade de animais relacionada a plantas tóxicas. O problema que temos é a baixa notificação, porque, como é muito difícil bater o martelo sobre o diagnóstico, muitas dessas mortes são atribuídas a outros animais, como cobras, ou a outras doenças, como as clostridioses, que também provocam mortes súbitas”, explica Bach.
Manejo e prevenção no combate às plantas tóxicas
Para evitar intoxicações, é fundamental que produtores saibam identificar as espécies venenosas em suas propriedades. O manejo adequado das pastagens inclui roçadas regulares, controle químico com herbicidas e revezamento de pasto, como o plantio de milho, para dificultar a proliferação dessas ervas.
O criador João Flávio relata que já perdeu animais por intoxicação e, há dez anos, intensificou os cuidados com o pasto, realizando vistorias frequentes e aplicando herbicidas. “Já perdemos, acho, três animais e não havia explicação, não havia nada. Foram localizadas essas ervas tóxicas e fizemos a erradicação delas. Os funcionários estão em alerta, sempre observando as ervas daninhas e tóxicas”, afirma.
O administrador Vinicius Gonçalves, do noroeste paulista, destaca o uso da integração lavoura-pecuária como estratégia de controle: “A gente usa anualmente a integração lavoura-pecuária. Rotacionamos na fazenda, fornecendo milho que precisamos para o nosso confinamento. Saindo do milho, plantamos capim para seguir com a cultura do gado”. Mesmo assim, ele ressalta que o controle químico anual é indispensável, pois as sementes das ervas podem permanecer no solo.
Em caso de suspeita de intoxicação, a orientação é buscar assistência veterinária imediatamente, já que a rápida intervenção pode salvar vidas e evitar maiores prejuízos ao rebanho.