Um estudo da USP identificou que 64% dos solos do planeta apresentam fragilidade, acendendo alerta para impactos na agricultura e no meio ambiente.
Os pesquisadores destacam que a degradação dos solos pode comprometer a produção agrícola e afetar ecossistemas, exigindo medidas urgentes de conservação.
Entre as recomendações estão práticas agrícolas sustentáveis e políticas públicas voltadas para a proteção ambiental.
Fragilidade dos solos e impactos ambientais
O estudo da USP revelou que a maioria dos solos do mundo é arenosa, o que resulta em baixa retenção de água e nutrientes, maior risco de erosão e menor produtividade. Essa condição representa ameaça direta à produção agrícola e à saúde dos ecossistemas.
Segundo os pesquisadores, o manejo inadequado do solo faz com que ele perca a capacidade de estocar água e carbono, impactando o clima e a produção de alimentos. O uso excessivo de produtos inorgânicos, como fertilizantes e agrotóxicos, pode aumentar a produtividade a curto prazo, mas não é sustentável e prejudica a qualidade do solo, do ambiente e dos alimentos.
O levantamento mostrou ainda que solos agrícolas apresentam pH até 1,6 unidades mais elevado do que solos de vegetação nativa, devido a práticas corretivas como calagem e fertilização. O desequilíbrio do pH afeta a disponibilidade de nutrientes, influenciando diretamente a produtividade e a saúde do solo.
Importância da vegetação nativa e práticas sustentáveis
O estudo aponta que 54% do carbono orgânico global está armazenado em solos sob vegetação nativa, enquanto solos agrícolas possuem em média 60% menos carbono. O solo funciona como reservatório de carbono, essencial para o equilíbrio climático.
A diferença entre solos naturais e agrícolas é explicada pelo uso intensivo e preparo constante da terra, que aceleram a perda de matéria orgânica. A perda de carbono prejudica a biodiversidade subterrânea, a retenção de água e nutrientes, e o papel do solo na regulação do clima.
Esse empobrecimento não só afeta a produção agrícola, mas também contribui para o aumento de carbono na atmosfera, intensificando o efeito estufa. Práticas como plantio direto, culturas de cobertura e sistemas agroflorestais são fundamentais para preservar ou aumentar o carbono no solo.