O setor cafeeiro brasileiro está otimista com a possibilidade de isenção de tarifas para exportação de café aos Estados Unidos. Um decreto de Donald Trump e sinais positivos do presidente Lula reacenderam as expectativas de acordo comercial. Produtores e entidades do setor esperam aumento nas exportações e melhora na rentabilidade.
Movimentações recentes impulsionam o setor
O otimismo no setor cafeeiro brasileiro foi renovado após dois acontecimentos importantes: a assinatura de um decreto por Donald Trump e o aceno do presidente Lula para fortalecer relações comerciais com os Estados Unidos. O decreto americano, assinado em 5 de setembro, aborda as chamadas ‘tarifas recíprocas’ e inclui o café brasileiro na lista de produtos que podem ser isentos de taxas. Segundo o texto, a isenção depende de um acordo comercial entre os dois países.
A medida foi bem recebida por entidades como a Abic e o Cecafé, que veem ambiente favorável para negociar a retomada das vendas. O secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, já havia citado a possibilidade de isenção em julho, e agora o decreto oficializou essa chance.
Queda nas exportações e expectativa de retomada
Após a imposição de uma tarifa de 50% no início de agosto, as exportações brasileiras de café para os EUA despencaram. Antes disso, o Brasil era o principal fornecedor do produto para o mercado americano, detendo cerca de um terço desse mercado. Com a nova tarifa, a Alemanha ultrapassou os EUA como maior compradora do grão brasileiro.
Perspectivas e declarações do setor
O setor cafeeiro projeta aumento nas exportações e rentabilidade caso a isenção se concretize. Para a Abic, o decreto reconhece que países que fecharem acordo comercial com os EUA poderão vender café ‘com absoluta isenção de tarifas’. Pavel Cardoso, presidente da Abic, afirmou: ‘Antes, nós não víamos perspectivas de isso acontecer. Mas considerando o encontro na ONU, e a ‘química’ entre os dois, como disse o Trump, vamos aguardar. Se houver alguma sinalização, algum acordo, teremos potencialmente o café como prioridade’.
Marcos Matos, diretor-geral do Cecafé, destacou que a fala de Trump sobre reunião com Lula trouxe ânimo ao mercado, já que o café está na lista de possíveis isenções. ‘O decreto aponta o café como um produto não disponível para os EUA e que agrega muito valor para a indústria norte-americana. Então, a retomada de diálogo é fundamental para a concretização de um acordo bilateral’, afirmou.
O setor aguarda novas sinalizações políticas e negociações para destravar o comércio de café com os EUA e consolidar o Brasil como líder mundial na produção e exportação do produto.