Após a violação do espaço aéreo polonês por drones russos, a Polônia acionou o Artigo 4 da Otan e abateu os objetos com apoio de caças aliados. O episódio ocorreu na quarta-feira (10), aumentando a tensão entre Europa e Rússia. O governo russo negou intenção deliberada no envio dos drones e se colocou à disposição para consultas.
O incidente levou ao fechamento de aeroportos e à elevação do alerta militar na Polônia, além de reações firmes de líderes europeus e consultas emergenciais entre países da aliança.
Reação internacional e resposta da Otan
O incidente de quarta-feira (10) envolveu a entrada de drones russos no espaço aéreo polonês, levando a Forças Armadas da Polônia a abaterem os aparelhos com apoio de caças da Otan. A Polônia invocou o Artigo 4 do tratado da aliança, que prevê consultas entre membros diante de ameaças à segurança de um país integrante. O episódio reacendeu o debate sobre a possibilidade de acionar o Artigo 5, que permite resposta militar conjunta.
Sete drones e destroços de projéteis foram encontrados em diferentes cidades do leste e norte polonês, causando danos a casas e carros, segundo o Ministério do Interior. O governo polonês recomendou que a população permanecesse em casa e ativou sistemas de defesa antiaérea no mais alto nível de prontidão. Aeroportos, incluindo o de Varsóvia, foram fechados temporariamente.
O primeiro-ministro Donald Tusk afirmou que a Polônia está pronta para reagir a ataques e provocações, destacando que o país nunca esteve tão próximo de um conflito armado desde a Segunda Guerra Mundial. Ele convocou uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros e consultas emergenciais com aliados da Otan.
Posicionamento russo
O Ministério da Defesa da Rússia negou que os drones tivessem como alvo a Polônia, alegando que o alcance dos aparelhos não seria suficiente para violar o espaço aéreo polonês. A pasta afirmou estar disposta a dialogar com o governo polonês sobre o incidente. O Kremlin se recusou a comentar, enquanto o encarregado de negócios russo em Varsóvia, Andrey Ordash, classificou as acusações como infundadas.
Repercussão europeia e medidas de segurança
Líderes europeus repudiaram a violação do espaço aéreo da Polônia. Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, declarou que a União Europeia defenderá cada centímetro de seu território e classificou o incidente como sem precedentes. Emmanuel Macron, presidente da França, considerou o caso inaceitável, e Kaja Kallas, alta representante da UE para Assuntos Externos, defendeu o aumento das sanções contra a Rússia.
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou que, intencional ou não, o episódio é irresponsável e perigoso, exigindo que a Rússia pare de violar o espaço aéreo dos aliados. O premiê britânico Keir Starmer chamou o ataque de extremamente inconsequente. O governo alemão destacou a gravidade do incidente e alertou para os testes impostos pela Rússia à Europa.
O episódio marca a sétima vez em que o Artigo 4 da Otan é acionado desde 1949, sendo a última em 2022, quando mísseis atingiram a Polônia durante a guerra na Ucrânia. Autoridades polonesas alertam para riscos nas regiões próximas à Ucrânia e Belarus, enquanto a Força Aérea ucraniana chegou a informar sobre a ameaça dos drones antes de apagar a mensagem.