Política

Hugo Motta nega traição do Senado após arquivamento da PEC da Blindagem

Presidente da Câmara afirma que respeito entre as Casas permanece após rejeição da proposta pelo Senado

Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados, afirmou nesta quinta-feira (25) que não há sentimento de traição após o Senado arquivar a PEC da Blindagem. O texto, que ampliava a proteção de parlamentares na Justiça, foi rejeitado de forma unânime pela CCJ do Senado na quarta-feira (24).

Motta destacou que as Casas não precisam concordar 100% e que o Senado cumpriu seu papel ao decidir pelo arquivamento. A Câmara havia aprovado a proposta na semana anterior, mas manifestações populares e pressões internas influenciaram o desfecho.

A PEC da Blindagem propunha que ações penais contra parlamentares só pudessem ser abertas com aprovação prévia de deputados e senadores, em votação secreta. Após aprovação na Câmara, o texto foi rapidamente pautado no Senado devido à repercussão negativa e à pressão popular.

Na quarta-feira (24), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado rejeitou a proposta por unanimidade, levando o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a arquivar a PEC. “Nós temos uma boa relação com o presidente do Senado, a quem respeitamos”, declarou Motta a jornalistas na Câmara.

Segundo Motta, o Senado estava atento ao posicionamento da Câmara, mas tomou sua decisão. “Bola pra frente, a Câmara cumpriu seu papel, aprovou a PEC, o senado entendeu que a PEC não deveria seguir. Nós temos um sistema bicameral, cabe a nós respeitar a posição do Senado”, afirmou.

Questionado sobre possível sentimento de traição, Motta respondeu: “De maneira alguma. Não tem sentimento de traição nenhum, até porque nós temos a condição de saber que não obrigatoriamente uma Casa tem que concordar 100% com aquilo que a outra aprova”.

PL da dosimetria

Além da PEC da Blindagem, Hugo Motta comentou sobre o chamado PL da ‘Dosimetria’, antigo PL da Anistia, que prevê redução de penas para condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro. O projeto está sob relatoria do deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) e depende de Motta para ser pautado na Câmara.

Motta afirmou que ainda não tem clareza sobre o posicionamento das bancadas a respeito do projeto. “Eu ainda não tenho uma temperatura precisa de como tem sido a conversa do relator com as bancadas. Até porque ele não conversou com todos os partidos ainda, e eu não conversei com os líderes após sua passagem de conversa com deputados de cada bancada e de cada partido”, explicou.

O presidente da Câmara disse que precisa de mais tempo para avaliar o sentimento da Casa antes de decidir se pautará ou não o projeto relatado por Paulinho da Força.