A 80ª sessão da Assembleia Geral da ONU começa nesta terça-feira (23) em Nova York, reunindo líderes de 193 países para debater temas como o reconhecimento do Estado da Palestina, o cessar-fogo em Gaza e o fim da guerra da Ucrânia.
O presidente Lula será o primeiro a discursar, seguido de Donald Trump, anfitrião do evento. A sessão marca a primeira Assembleia Geral no segundo mandato de Trump nos Estados Unidos, em meio a tensões internacionais e críticas ao multilateralismo.
O funcionamento da Assembleia Geral da ONU
A Assembleia Geral da ONU é um encontro anual entre governantes e autoridades dos 193 Estados-membros da organização. O evento principal, chamado de “Debate Geral”, permite que cada país faça um discurso apresentando seu ponto de vista sobre o tema do encontro e a situação global. Líderes de dois Estados observadores não-membros, Santa Sé e Estado da Palestina, além da União Europeia, também podem discursar.
O Brasil tradicionalmente é o primeiro Estado-membro a falar, seguido pelos Estados Unidos, anfitrião da sede da ONU. A lista de discursos segue por hierarquia e ordem de chegada, começando por chefes de Estado. Os líderes são convidados a limitar seus discursos a 15 minutos, mas há históricos de falas muito mais longas, como as de Fidel Castro e Muammar Gaddafi.
Críticas e direito de resposta
Durante os discursos, críticas mútuas são comuns. Caso um Estado se sinta ofendido, pode solicitar formalmente um direito de resposta, concedido ao final do dia, com tempo limitado. Em protesto, delegações podem se retirar do plenário, como frequentemente fazem Israel e Irã.
Principais temas em debate
Cessar-fogo em Gaza e reconhecimento do Estado Palestino
O conflito entre Israel e Hamas na Faixa de Gaza, que se aproxima de dois anos, domina as discussões. A crise humanitária se agrava, com alertas sobre a fome no enclave palestino. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, discursará na próxima semana, enquanto o presidente palestino, Mahmoud Abbas, participará por vídeo, após os EUA negarem seu visto.
Recentemente, Austrália, Reino Unido, Canadá e Portugal reconheceram o Estado Palestino, juntando-se a mais de 140 países, incluindo o Brasil. França e Arábia Saudita lideram esforços para promover a solução de dois Estados, rejeitada por Netanyahu.
Guerra na Ucrânia
O presidente ucraniano, Volodymir Zelensky, buscará apoio global, enquanto Donald Trump tenta mediar o fim do conflito iniciado há mais de três anos. O Conselho de Segurança da ONU realizará uma reunião de alto nível sobre o tema, com expectativa de possíveis sanções dos EUA à Rússia.
Tensões entre EUA e Venezuela
Os EUA aumentaram sua presença naval no Caribe, levando a protestos da Venezuela junto ao secretário-geral da ONU. O ministro das Relações Exteriores venezuelano, Yvan Gil, deve abordar o tema em seu discurso, enquanto Nicolás Maduro acusa os EUA de tentarem tirá-lo do poder.
Discurso de Lula
Lula abordará soberania nacional, democracia, cooperação internacional, mudanças climáticas e guerra em Gaza. O presidente brasileiro defenderá a soberania da Amazônia, buscará financiamento internacional para sua proteção e criticará tarifas impostas por Trump, além de pedir negociações para a Ucrânia e apoiar a criação de um Estado palestino.