A repercussão internacional dos discursos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na Assembleia Geral da ONU, realizada na terça-feira (23/9), chamou atenção para o clima de tensão e os encontros entre os líderes. O breve contato entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos foi marcado por declarações públicas e análises da imprensa estrangeira.
Enquanto Trump elogiou Lula e sugeriu novo encontro, jornais como Washington Post, El País e The Guardian destacaram críticas mútuas, indiretas e divergências políticas durante o evento em Nova York.
Repercussão dos discursos na imprensa internacional
O Washington Post ressaltou que a reunião anual de líderes mundiais na ONU é palco para “encontros inusitados e, às vezes, constrangedores”, citando o fato de Trump ter subido ao pódio logo após Lula, presidente de esquerda cujo governo foi criticado e sancionado por Trump devido à condenação do antecessor, Jair Bolsonaro, aliado de extrema direita do americano. O jornal observou que Lula se posicionou como contraponto ao populismo de direita de Trump, celebrando a condenação de Bolsonaro por tentar anular a eleição de 2022, enquanto Trump evitou destino semelhante nos EUA após promotores federais retirarem acusações contra ele.
O periódico americano também destacou trechos do discurso de Lula em que o presidente brasileiro buscou falar em nome do mundo em desenvolvimento e responsabilizou o Ocidente pelo prolongamento do conflito em Gaza, denunciando o “mito do excepcionalismo ético do Ocidente”.
Lula resiste à pressão americana
O jornal espanhol El País apontou que Lula está entre os poucos líderes que não se curvaram às medidas unilaterais do “presidente-magnata”. O veículo destacou a possibilidade de um encontro mais longo entre os dois presidentes, salientando que o primeiro contato ocorreu após oito meses de Trump na Casa Branca e que ambos compartilham um estilo informal. O jornal afirmou que um encontro mais aprofundado ocorreria em um momento crítico para a relação bilateral.
O El País também ressaltou o tom ameaçador de Trump ao Brasil, citando a fala: “Vocês só se sairão bem quando cooperarem conosco; caso contrário, vocês fracassarão, como outros fracassaram”, justificando tarifas como reciprocidade. Além disso, o jornal trouxe trechos do discurso de Lula sobre a condenação de Bolsonaro e críticas ao Hamas e a Israel, enfatizando: “nada, absolutamente nada, justifica o genocídio em curso em Gaza”.
Indiretas e críticas sobre democracia
O britânico The Guardian destacou o discurso de Lula sobre democracia, com o título: “Presidente do Brasil diz em discurso na ONU que democracia pode prevalecer sobre ‘pretensos autocratas'”. O jornal afirmou que Lula fez críticas indiretas a Trump e alertou para a ameaça global das “forças antidemocráticas”.
O Guardian citou o trecho em que Lula declarou que líderes dessas forças “veneram a violência, glorificam a ignorância, agem como milícias físicas e digitais e restringem a imprensa”. O periódico também lembrou das disputas recentes entre Brasil e EUA, mas observou que Trump sinalizou abertura para reconciliação ao se encontrar com Lula na sede da ONU.
Em outro momento, Lula criticou ataques americanos a barcos venezuelanos no Caribe, que resultaram em pelo menos 17 mortes, afirmando: “Usar força letal em situações que não constituem conflitos armados equivale a executar pessoas sem julgamento”, e pediu que a região se mantenha “uma zona de paz”.