Lula e Donald Trump protagonizaram discursos opostos na abertura da 80ª Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (23), em Nova York. Em meio à escalada de tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, os líderes abordaram temas como Gaza, tarifas e desigualdade, deixando claras suas divergências.
Enquanto Lula criticou sanções e defendeu a soberania brasileira, Trump exaltou sua gestão, reforçou políticas anti-imigração e rejeitou o reconhecimento do Estado Palestino.
Contraste nos discursos sobre temas globais
Na abertura da 80ª Assembleia Geral da ONU, Lula adotou tom crítico ao atacar as sanções impostas pelos Estados Unidos, defendendo a soberania do Brasil e condenando o que chamou de “genocídio em curso em Gaza”. Ele também cobrou respeito à independência do Judiciário e criticou a extrema-direita por colaborar com ingerências externas. “Nada justifica o genocídio em curso em Gaza”, afirmou Lula, ressaltando a necessidade de respeito à democracia e à autodeterminação dos povos.
Por sua vez, Donald Trump exaltou sua gestão como responsável por uma “era de ouro” nos EUA, reforçou sua política anti-imigração e acusou a ONU de apoiar quem tenta entrar ilegalmente no país. Trump ainda rejeitou o reconhecimento do Estado Palestino, classificando-o como “recompensa para os terroristas do Hamas” e defendeu o uso de tarifas para proteger a soberania norte-americana.
Defesa nacional e soberania
Lula destacou a resistência brasileira frente a ataques e defendeu a democracia, afirmando: “Agressão contra a independência do poder Judiciário é inaceitável”. Trump, por outro lado, afirmou: “Graças à minha gestão, os EUA estão na era de ouro” e justificou o uso de tarifas como defesa da soberania.
Mudanças climáticas e tarifas
Lula alertou para a gravidade da crise climática e criticou medidas unilaterais contra a economia brasileira. Trump minimizou o impacto do aquecimento global e criticou políticas energéticas europeias, além de anunciar tarifas altas contra o Brasil.
Críticas à ONU e conflitos globais
Trump criticou a atuação da ONU, dizendo que a organização não atinge seu potencial e a acusou de apoiar imigração ilegal. Ele também afirmou ter encerrado sete guerras durante seu governo e pediu cessar-fogo em Gaza. Lula, por sua vez, denunciou pressões externas e defendeu a criação de um Estado Palestino independente, apoiado por mais de 150 membros da ONU, mas bloqueado por um veto.
Encontro nos bastidores
Apesar das divergências, Trump relatou um breve encontro com Lula nos bastidores da ONU. Segundo o republicano, ambos se abraçaram, tiveram uma “boa conversa” e concordaram em se encontrar na próxima semana. Trump afirmou ter sentido uma química com o brasileiro e disse que “gosta do líder do Brasil”, acrescentando que Lula “com certeza gosta dele também”.