Economia

Haddad minimiza impacto do tarifaço dos EUA sobre exportações brasileiras

Ministro afirma que tarifas impostas a produtos do Brasil devem ser superadas após julgamento de Bolsonaro

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (23) que o impacto das tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros será limitado.

Haddad acredita que a situação será superada após o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e defendeu que não há base econômica para a medida.

Segundo ele, apenas 4% das exportações brasileiras são afetadas, e o governo já lançou um plano de contingência para apoiar os exportadores.

Tarifas e reação do governo

As tarifas de importação de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros entraram em vigor em 6 de agosto, tornando-se a mais alta taxa do mundo para entrada nos EUA. O presidente Donald Trump assinou, em 30 de julho, um decreto que adicionou uma tarifa extra de 40%, elevando o total para 50%. Apesar disso, a medida incluiu exceções como suco de laranja, aeronaves civis, petróleo, veículos e peças, fertilizantes e produtos energéticos.

Segundo a Casa Branca, o decreto foi motivado por ações do governo brasileiro consideradas uma “ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional, à política externa e à economia dos EUA”. Em carta enviada a Lula, Trump afirmou que a ordem executiva foi motivada por ações que prejudicam empresas americanas e os direitos de liberdade de expressão de cidadãos americanos.

O ministro Fernando Haddad avaliou que a medida foi uma ingerência dos EUA em um assunto que, segundo ele, não é do Executivo, mas da Justiça. “Passada essa fase aguda, julgamento, publicação da decisão [sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro], acredito que isso vai ser superado. Pois não tem base econômica, só pode estar baseada em desinformação”, declarou Haddad em entrevista ao ICL notícias.

Exportações e medidas de apoio

Haddad destacou que as exportações brasileiras se diversificaram nos últimos dez anos em relação aos primeiros mandatos do presidente Lula. Segundo ele, apenas 4% das exportações do Brasil estão sendo afetadas pelas tarifas, sendo que mais da metade desse percentual corresponde a commodities. O ministro afirmou que essas vendas externas podem ser rapidamente direcionadas para outras regiões.

Para mitigar os efeitos do tarifaço, o governo federal lançou, em 13 de agosto, o plano “Brasil Soberano”, com medidas para socorrer exportadores nacionais que vendem para os Estados Unidos. O destaque do plano foi a criação de uma linha de crédito de R$ 30 bilhões via BNDES para atender empresas em condição especial.

Haddad explicou que, embora não haja impacto macroeconômico relevante, pode haver efeitos no nível micro, por isso foi elaborado o plano de contingência. Ele afirmou: “Produzindo coisas boas, as melhores do mundo, não temos dificuldade em realocar nossas exportações”.

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