O governo brasileiro avalia que a aguardada conversa entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump deverá acontecer de forma remota, por telefone ou videoconferência.
O principal tema da pauta será o tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, além das sanções aplicadas a autoridades brasileiras.
O encontro, ainda sem data definida, ocorre após breve contato entre os presidentes durante a Assembleia-Geral da ONU, em Nova York.
Detalhes do encontro e temas em discussão
A expectativa do governo brasileiro é que a reunião entre Lula e Trump aconteça de forma remota, sem encontro presencial. O tema central será o tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, medida que gerou tensão entre os dois países. Além disso, as sanções aplicadas por Trump a autoridades do Executivo e do Judiciário brasileiro também estarão em pauta.
Durante seu discurso na Assembleia-Geral da ONU, Trump afirmou ter sentido “ótima química” com Lula e revelou que ambos concordaram em se reunir na próxima semana. O breve encontro ocorreu logo após o discurso de Lula, antes de Trump subir à tribuna. “Ele parece um cara muito legal, ele gosta de mim e eu gostei dele. E eu só faço negócio com gente de quem eu gosto. Quando não gosto deles, eu não faço. Por 39 segundos, nós tivemos uma ótima química e isso é um bom sinal”, declarou Trump.
Em entrevista à GloboNews, a porta-voz do governo americano, Amanda Robertson, confirmou que o encontro não havia sido planejado e que as tarifas devem ser discutidas. “Agora é o momento de reavaliar a relação comercial entre os países”, afirmou. Robertson explicou que cabe aos diplomatas dos dois países organizar os detalhes do encontro formal.
Contexto político e repercussão
Esta será a primeira conversa direta entre Lula e Trump desde o início da crise do tarifaço. Desde que assumiram seus mandatos, os dois presidentes não haviam se encontrado. A viagem de Lula a Nova York marca sua primeira ida aos Estados Unidos após a imposição das sobretaxas americanas.
No início das sanções, Trump se posicionou contra o processo que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado seu, a 27 anos de prisão por golpe de Estado.
Em seu discurso na ONU, Lula enviou recados diretos a Trump, afirmando que a democracia e a soberania do Brasil são “inegociáveis”. O presidente brasileiro também classificou como “inaceitável” qualquer agressão ao Judiciário e rejeitou a possibilidade de anistia a quem ataca a democracia.