Política

Manobra do PL para evitar cassação de Eduardo Bolsonaro depende de decisão de Hugo Motta

PL tenta garantir mandato de Eduardo Bolsonaro com nomeação como líder da minoria, mas legalidade é questionada e decisão cabe ao presidente da Câmara

O PL nomeou Eduardo Bolsonaro como líder da minoria para garantir seu mandato, permitindo que ele trabalhe dos Estados Unidos com abono de faltas. A legalidade da manobra depende de aval do presidente da Câmara, Hugo Motta, que afirmou analisar o caso.

O PT considera a situação ilegal e vai recorrer. A decisão final pode impactar o futuro político de Eduardo Bolsonaro e a discussão sobre anistia a envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023.

A estratégia do PL baseia-se em um ato de 2015, da gestão de Eduardo Cunha, que permitia o abono de faltas para líderes e vice-líderes em viagem ao exterior. O partido sustenta que essa norma ainda está em vigor, mas assessores da Câmara discordam, afirmando que perdeu validade com o fim do mandato de Cunha. Para que a manobra tenha efeito, seria necessário um novo ato do presidente Hugo Motta ou uma autorização da mesa diretora da Câmara.

O regimento interno da Câmara, em seu artigo 228, exige que deputados comuniquem previamente à Presidência sobre afastamentos do território nacional, detalhando a natureza e a duração da ausência. O PT argumenta que, sem esse procedimento, a situação de Eduardo Bolsonaro é irregular e pretende recorrer da decisão do PL.

Indicação atípica e pressão política

Hugo Motta classificou a indicação de Eduardo Bolsonaro como “atípica” e afirmou que irá analisar o caso, tornando-se um teste para sua gestão na presidência da Câmara. O deputado já ameaçou Motta com possíveis sanções dos Estados Unidos caso não seja pautado o projeto de anistia.

Nesta quarta-feira (17), Hugo Motta deve decidir sobre a urgência da votação do projeto de anistia, mas há articulações para derrotar o pedido apresentado pelo PL. Caso isso ocorra, a proposta de anistia ampla para Bolsonaro e outros envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 pode ser arquivada. Em seu lugar, pode avançar um projeto que apenas reduz as penas dos golpistas, incluindo o ex-presidente.

A repercussão da manobra do PL e a resposta do presidente da Câmara são acompanhadas de perto por diferentes setores políticos, pois podem definir não apenas o futuro de Eduardo Bolsonaro, mas também o desfecho das discussões sobre punições e anistias relacionadas aos eventos de janeiro de 2023.

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