O Federal Reserve cortou nesta quarta-feira (17) os juros dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual, fixando a taxa entre 4% e 4,25% ao ano. O movimento, o primeiro em nove meses, era amplamente esperado por economistas diante de sinais de enfraquecimento no mercado de trabalho.
A decisão ocorre após cinco reuniões sem alterações e em meio a pressões do presidente Donald Trump sobre a instituição. O único voto contrário foi do recém-nomeado Stephen Miran, que defendia corte maior.
Contexto da decisão e cenário econômico
O corte anunciado pelo Fed veio após dados recentes indicarem desaceleração na criação de empregos e leve alta no desemprego, embora a taxa permaneça baixa. O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) destacou que a inflação segue elevada e que permanece atento aos riscos para seus objetivos de máximo emprego e estabilidade de preços.
O comunicado do Fomc ressaltou: “O Comitê estaria preparado para ajustar a condução da política monetária, conforme apropriado, caso surjam riscos que possam prejudicar o alcance de seus objetivos”. O único voto contrário foi de Stephen Miran, indicado por Trump e aprovado pelo Senado dois dias antes, que defendeu corte de 0,5 ponto percentual.
Desde janeiro, quando Donald Trump assumiu como 47º presidente dos EUA, o cenário econômico ficou mais adverso devido à guerra tarifária promovida pelo republicano. Economistas e o próprio Fed vêm alertando para impactos das sobretaxas, especialmente o risco de alta na inflação ao consumidor, o que retardou decisões anteriores de corte.
Nas últimas semanas, sinais de enfraquecimento do mercado de trabalho permitiram o corte. A inflação, apesar de controlada, ainda supera a meta de 2%. O Fomc afirmou que monitora riscos em ambos os lados do seu duplo mandato e alertou para aumento das chances de retração no mercado de trabalho.
Pressão política e mudanças no Fed
A ofensiva de Donald Trump contra o Federal Reserve intensificou-se recentemente. O presidente passou a indicar nomes alinhados à sua agenda, como Stephen Miran, e tentou demitir a diretora Lisa Cook, sem sucesso até o momento. Caso a Justiça confirme a saída de Cook, Trump poderá indicar mais um aliado, ampliando sua influência sobre o conselho do Fed, que tem sete membros.
Trump já criticou publicamente o presidente do Fed, Jerome Powell, e buscou afastar Lisa Cook sob alegação de fraude hipotecária, tema que será analisado pela Suprema Corte. Caso obtenha maioria no conselho, Trump poderá influenciar nomeações nos 12 bancos regionais e a condução da política monetária.
Impactos para o Brasil e mercados globais
Juros mais baixos nos EUA reduzem o rendimento das Treasuries, tornando-as menos atraentes para investidores internacionais. Isso pode favorecer a entrada de capital estrangeiro em países emergentes, como o Brasil, fortalecendo o real ante o dólar. Além disso, um dólar mais fraco diminui pressões inflacionárias no Brasil, influenciando as decisões do Copom sobre os juros locais.