Política

Comissão da ONU acusa Israel de genocídio em Gaza e governo israelense rejeita relatório

Relatório de comissão independente aponta atos de genocídio cometidos por Israel na Faixa de Gaza; autoridades israelenses classificam documento como falso e parcial

Uma comissão independente contratada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU divulgou relatório nesta terça-feira (16) acusando Israel de cometer genocídio na Faixa de Gaza. O governo israelense nega as acusações e afirma que o documento é falso e atua em favor do Hamas.

O relatório cita mortes de civis, danos físicos e mentais, destruição de infraestrutura e bloqueio de ajuda humanitária como evidências dos crimes.

Relatório da comissão aponta genocídio

A Comissão de Inquérito sobre o Território Palestino Ocupado, formada por juristas e investigadores, foi criada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU em 2021 para apurar ataques israelenses na Faixa de Gaza. O relatório divulgado nesta terça-feira (16) afirma que Israel cometeu quatro dos cinco atos de genocídio previstos na Convenção da ONU de 1948, incluindo matar civis, causar danos físicos ou mentais graves, impor condições de vida destrutivas e impedir nascimentos.

Entre os exemplos citados estão o ataque de dezembro de 2023 à maior clínica de fertilidade de Gaza, que destruiu cerca de 4 mil embriões e 1 mil amostras de esperma e óvulos, além de bloqueios de ajuda humanitária e deslocamentos forçados. O documento acusa o alto escalão do governo de Israel, incluindo o premiê Benjamin Netanyahu, de incitar esses atos.

Segundo Navi Pillay, chefe da comissão e ex-juíza do Tribunal Penal Internacional, “está ocorrendo genocídio em Gaza. A responsabilidade por esses crimes atrozes recai sobre as autoridades israelenses nos mais altos escalões, que vêm orquestrando uma campanha genocida há quase dois anos, com a intenção específica de destruir o grupo palestino em Gaza”.

A comissão ressalta que é independente e não representa oficialmente a ONU, que ainda não utilizou o termo “genocídio” para os ataques de Israel em Gaza. O relatório deve servir de base para futuras decisões e declarações das Nações Unidas.

Reação de Israel e contexto do conflito

O embaixador de Israel na ONU em Genebra, Daniel Meron, classificou o relatório como “escandaloso” e “falso”, acusando os membros do comitê de agirem “por procuração do Hamas”. Meron afirmou: “Israel rejeita categoricamente o libelo difamatório publicado hoje por esta comissão de inquérito”.

A comissão baseou suas conclusões em entrevistas com vítimas, testemunhas, médicos, documentos de fonte aberta verificados e imagens de satélite desde o início da guerra. O órgão é composto por três especialistas, com presidência nomeada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, e reporta anualmente ao conselho e à Assembleia Geral.

O conflito entre Israel e Hamas teve início em outubro de 2023, após ataque do grupo terrorista que matou mais de 1,2 mil pessoas no sul de Israel. Desde então, mais de 64 mil palestinos, a maioria civis, morreram em Gaza, segundo o Ministério da Saúde local, número reconhecido pela ONU. A população enfrenta grave crise humanitária e fome generalizada, segundo agência da ONU, o que também é contestado por Israel.

A divulgação do relatório coincidiu com o início de uma ampla ofensiva terrestre israelense na Cidade de Gaza, considerada pelo governo Netanyahu o último reduto do Hamas. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou: “Gaza está em chamas”.

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