O Conselho de Segurança da ONU afirmou nesta quarta-feira (27) que a crise de fome em Gaza é provocada pelo homem e solicitou que Israel suspenda restrições à entrega de ajuda humanitária. O grupo também pediu cessar-fogo imediato e libertação de reféns do Hamas.
O comunicado conjunto foi assinado por 14 dos 15 membros do conselho, com exceção dos Estados Unidos. O órgão alertou para o risco de crime de guerra e destacou a necessidade de aumentar o envio de ajuda à população palestina.
Declaração do Conselho de Segurança da ONU
Durante a reunião, os membros do Conselho de Segurança da ONU enfatizaram que a fome em Gaza é uma “crise provocada pelo homem” e pediram a suspensão imediata e incondicional das restrições impostas por Israel à entrega de ajuda humanitária. O grupo também solicitou um cessar-fogo imediato, incondicional e permanente, além da libertação de todos os reféns mantidos pelo Hamas e outros grupos. Segundo os países, o uso da fome como arma de guerra é proibido pelo direito internacional humanitário.
O coordenador especial da ONU para o processo de paz no Oriente Médio, Ramiz Alakbarov, declarou que a situação em Gaza “continua a se deteriorar a níveis nunca vistos na história recente”. Ele ressaltou que a expansão das operações militares na Cidade de Gaza pode gerar consequências catastróficas, incluindo o deslocamento de centenas de milhares de pessoas.
Ofensiva israelense e situação humanitária
Apesar dos apelos internacionais, a ofensiva de Israel segue avançando na Cidade de Gaza. Um porta-voz do Exército israelense afirmou que a evacuação da cidade é “inevitável” e que famílias que se mudarem para o sul receberão assistência humanitária. A ONU alerta que o deslocamento forçado em massa pode configurar crime de guerra. Testemunhas relataram bombardeios intensos e entrada de tanques em bairros periféricos, forçando a fuga de moradores.
Enquanto isso, líderes religiosos locais afirmaram que permanecerão na cidade, considerando a fuga para o sul uma “sentença de morte”. Israel busca tomar a Cidade de Gaza como parte de sua estratégia contra o Hamas, com o objetivo de controlar todo o território palestino.
Negociações e reações internacionais
No dia 18, o Hamas aceitou uma proposta de cessar-fogo mediada por Egito e Catar, mas Israel ainda não respondeu, mantendo os ataques. Diversos países e o papa Leão XIV apelaram pelo fim da guerra e pela aceitação do cessar-fogo, que prevê a libertação de reféns.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, ameaçou destruir a Cidade de Gaza caso o Hamas não aceite as condições impostas. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, planeja discutir com seu governo um plano para o pós-guerra em Gaza, segundo o enviado especial Steve Witkoff, que espera o fim do conflito até o final do ano.
A Cidade de Gaza abriga mais de um milhão de pessoas, incluindo muitos deslocados. Desde 8 de agosto, aumentaram os bombardeios após aprovação dos planos israelenses para tomar a cidade. A comunidade internacional segue pressionando por uma solução pacífica e pelo aumento da ajuda humanitária.