As exportações brasileiras de ovos caíram pelo segundo mês consecutivo em agosto de 2025, segundo estudo da USP. O recuo é atribuído às tarifas impostas pelos Estados Unidos, que perderam a liderança como principal destino dos ovos brasileiros para o Japão.
Apesar da queda, o volume exportado em 2025 já supera em 75% o total do ano anterior. No mercado interno, os preços dos ovos oscilaram devido à oferta, demanda e custos de produção.
Impacto das tarifas e mudanças no mercado externo
O estudo da USP destaca que as tarifas impostas pelo governo norte-americano resultaram em queda nas exportações de ovos in natura do Brasil para os Estados Unidos. Em julho de 2025, houve o primeiro recuo, com redução de 20% nas vendas externas, motivado por uma diminuição de 31% nos embarques para o mercado norte-americano. Segundo dados da Secex, compilados pelo Cepea, o Brasil exportou 5,26 mil toneladas de ovos in natura e processados em julho, volume 20% menor que em junho, mas ainda 305% superior ao registrado em julho de 2024.
Com a retração, o Japão ultrapassou os Estados Unidos e se tornou o principal destino dos ovos brasileiros. Entre janeiro e agosto de 2025, o país exportou cerca de 32,3 mil toneladas de ovos, alta de 192,2% em relação ao mesmo período de 2024 e 75% acima do total embarcado em todo o ano passado.
Oscilações no mercado interno e fatores de produção
No mercado doméstico, as cotações dos ovos subiram no início de agosto, impulsionadas pelo fim das férias escolares e pelo aumento do consumo típico do início do mês. Entretanto, em junho, os preços atingiram o menor patamar diário nas principais regiões produtoras, reflexo da retração da demanda e do aumento da oferta.
Segundo pesquisadores do Cepea, a desvalorização dos ovos não foi causada pelo registro de gripe aviária em granja comercial, mas sim por fatores de mercado. A queda nos preços começou em abril de 2025, após altas de até 40%, e se acentuou em maio, quando as médias mensais atingiram os menores patamares desde janeiro de 2025.
Custos de produção e desafios para os produtores
A pesquisadora responsável pelo estudo ressalta que, em 2024, os custos dos principais insumos, como milho e farelo de soja, aumentaram, enquanto a queda nos preços dos ovos comprometeu a rentabilidade dos produtores. Houve ainda necessidade de investimento em espaços climatizados e aumento de custos com embalagens, reduzindo as margens do setor.
Com menor disponibilidade de ovos em 2025, foi possível repassar reajustes de forma mais intensa para as cotações. Em maio, o ritmo mais lento das vendas elevou os estoques nas granjas, levando à desvalorização da proteína e ao descarte de poedeiras mais velhas em algumas regiões, medida que pode ajudar a controlar a oferta e sustentar os preços.
Variação regional dos preços
Entre 16 e 26 de junho, a cotação dos ovos vermelhos caiu mais de 10,6% em Santa Maria de Jetibá (ES), passando de R$ 207 para R$ 185 a caixa de 30 dúzias. Em Bastos (SP), o preço da caixa de ovos brancos caiu de R$ 169,52 para R$ 159, enquanto os ovos vermelhos passaram de R$ 191 para R$ 177. Na Grande São Paulo, os ovos brancos caíram de R$ 179 para R$ 164, e os vermelhos de R$ 199,95 para R$ 182. Em Recife, a queda foi de quase 13%, e em Minas Gerais, de R$ 213 para R$ 188 a caixa.
Apesar das oscilações, o Brasil mantém posição de destaque no mercado internacional, com exportações em alta e ajustes internos para enfrentar os desafios de custos e demanda.