Economia

Exportações de carne bovina do Brasil para os EUA despencam após recorde e novas tarifas

Queda nas vendas ocorre após sobretaxação imposta por Donald Trump e pode se agravar com aumento de tarifas em agosto

As exportações de carne bovina do Brasil para os Estados Unidos caíram 61,8% em junho, após atingirem recorde em abril de 2025, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Carne (Abiec).

A redução ocorre após o anúncio de sobretaxa de 10% por Donald Trump, com previsão de aumento para 50% em agosto, o que pode elevar a tarifa total a 76,4%.

Impacto das tarifas e queda nas exportações

De acordo com dados da Abiec, o Brasil exportou 47.836 toneladas de carne bovina in natura para os Estados Unidos em abril de 2025, o maior volume mensal já registrado. No entanto, em maio, o volume despencou para 27.413 toneladas, refletindo o impacto imediato da sobretaxa de 10% anunciada por Donald Trump sobre produtos brasileiros.

Em junho, a queda se acentuou, com as exportações caindo para 18.232 toneladas. Até 21 de julho, o volume vendido era de apenas 9.745 toneladas, mostrando tendência de retração contínua. Os dados da Abiec são compilados a partir do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

Relatórios do Ministério da Agricultura confirmam a mesma tendência: em abril, as vendas de carne bovina in natura para os EUA foram de 44.164 toneladas, caindo para 13.454 toneladas em junho.

Recorde histórico e perspectivas para o setor

Apesar da retração recente, o primeiro semestre de 2025 registrou exportação recorde de 156 mil toneladas de carne bovina brasileira para os Estados Unidos, o maior volume já registrado na série histórica do Ministério da Agricultura, iniciada em 1997.

Entenda as tarifas

O Brasil tem direito a exportar 65 mil toneladas de carne bovina para os EUA sem tarifas, devido a acordos firmados. Essa cota, porém, costuma ser atingida rapidamente no início do ano. Após o fim da cota, a tarifa tradicional é de 26,4%. Em abril, com a nova sobretaxa de 10% imposta por Trump, a alíquota subiu para 36,4%.

A partir de 1º de agosto, a taxa adicional poderá chegar a 50%, elevando o total para 76,4% sobre as exportações brasileiras, o que pode agravar ainda mais a queda nas vendas para o mercado norte-americano.

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