O dólar iniciou esta sexta-feira (12) em alta de 0,13%, cotado a R$ 5,399, enquanto o Ibovespa abriu às 10h após recorde histórico. O mercado acompanha novos dados econômicos do Brasil e dos EUA, além da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo STF por tentativa de golpe de Estado.
Investidores observam possíveis reações internacionais, especialmente do governo Trump, e o impacto das decisões sobre tarifas e juros globais.
Desempenho do dólar e Ibovespa
O dólar acumula queda de 0,39% na semana, 0,55% no mês e 12,75% no ano. O Ibovespa registra alta de 0,36% na semana, 1,22% no mês e 19,01% no acumulado do ano, refletindo o otimismo do mercado mesmo diante das tensões políticas.
Condenação de Jair Bolsonaro
A Primeira Turma do STF formou maioria nesta quinta-feira para condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus por todos os crimes apontados pela Procuradoria-Geral da República na chamada Trama Golpista. O placar chegou a 3 votos a 1, com a ministra Cármen Lúcia acompanhando o relator Alexandre de Moraes e o ministro Flávio Dino.
Os crimes incluem Golpe de Estado, Abolição violenta do Estado Democrático de Direito, Organização criminosa, Dano qualificado contra patrimônio da União e Deterioração de patrimônio tombado. Alexandre Ramagem foi excluído de dois crimes. Os réus são Jair Bolsonaro, Walter Braga Netto, Mauro Cid, Almir Garnier, Alexandre Ramagem, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Anderson Torres.
O mercado já considerava a condenação de Bolsonaro praticamente inevitável, mas monitora possíveis reações negativas do governo dos EUA, que aplicou tarifas adicionais ao Brasil citando o julgamento como justificativa.
Indicadores econômicos dos EUA
Nos Estados Unidos, o Departamento do Trabalho informou que o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) subiu 0,4% em agosto, acima do esperado. Em 12 meses, o índice avançou 2,9%, maior alta desde janeiro. Economistas previam 0,3% de alta mensal e 2,9% anual. Pedidos de auxílio-desemprego aumentaram para 263 mil, superando a previsão de 235 mil.
Especialistas apontam que, apesar da inflação persistente, o Federal Reserve deve manter o corte de juros na próxima semana, diante da fragilidade do mercado de trabalho. Leonel Mattos, da StoneX, destaca que a inflação está abaixo das previsões, mas os riscos permanecem altos devido às tarifas de importação, desvalorização do dólar e restrições no mercado de trabalho.
Bolsas globais e repercussão internacional
Em Wall Street, os principais índices fecharam em alta na quinta-feira após dados de inflação e emprego reforçarem a expectativa de corte de juros pelo Federal Reserve. O Dow Jones subiu 1,36%, o S&P 500 avançou 0,85% e o Nasdaq Composite ganhou 0,72%, ambos em máximas históricas.
Na Europa, os mercados também subiram após o Banco Central Europeu manter as taxas de juros inalteradas. O índice STOXX 600 avançou 0,55%, enquanto Londres, Frankfurt, Paris e Milão registraram ganhos entre 0,3% e 0,89%.
Na Ásia, os resultados foram mistos: Xangai subiu 1,65%, o CSI300 avançou 2,31% e Tóquio teve alta de 1,22%. Hong Kong caiu 0,43%. Outros mercados, como Seul, Taiwan e Cingapura, fecharam em alta, enquanto Sydney recuou 0,29%.
O otimismo com avanços em tecnologia e inteligência artificial impulsionou os índices chineses, apesar de preocupações com possíveis restrições dos EUA. O impacto das tarifas impostas pelo governo Trump segue sendo monitorado, com expectativa de novos aumentos de preços nos próximos meses.