O STF condenou Jair Bolsonaro e outros sete réus por trama golpista, marcando a primeira vez que um ex-presidente é condenado por golpe de Estado no Brasil.
Enquanto a oposição pressiona por anistia ampla, parlamentares do governo e a cúpula do Congresso rejeitam a proposta. O tema se tornou a principal pauta da oposição após a decisão do Supremo.
Disputa política se acirra após decisão do STF
A condenação de Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão pelo STF, nesta quinta-feira (11), acirrou o debate sobre a anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de Janeiro. Parlamentares da oposição defendem um perdão amplo, incluindo crimes cometidos desde o início do governo Bolsonaro, em 2019, e abrangendo até crimes cometidos via redes sociais, apoio logístico e financeiro a protestos e ataques à soberania nacional.
Nos bastidores do Supremo, o entendimento é que crimes contra a democracia não podem ser anistiados. O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, afirmou durante o julgamento que tais crimes não devem receber perdão, pois atentam contra a própria Constituição.
Pressão da oposição e articulação de Tarcísio
Após a condenação, aliados de Bolsonaro intensificaram as articulações no Congresso. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, entrou na negociação, e sua presença em Brasília é esperada para destravar a análise da proposta. Apesar da pressão, Hugo Motta, presidente da Câmara, sinalizou que ainda não há definição sobre a votação do projeto.
Resistência no Congresso e ação do governo
Senado busca alternativa
No Senado, Davi Alcolumbre trabalha em um texto alternativo que não prevê perdão total, mas recalibração das penas. Segundo interlocutores, Alcolumbre é contra a anistia a Bolsonaro e afirmou estar elaborando uma proposta própria.
Tramitação e obstáculos
O projeto de anistia possui requerimento de urgência para ir direto ao plenário da Câmara, evitando desidratação nas comissões. No entanto, depende de Hugo Motta pautar a votação, o que ainda não ocorreu. Motta afirma estar ouvindo todos os lados e não há previsão de avanço imediato.
Governo mobilizado contra anistia
O governo intensificou as articulações para barrar a aprovação do projeto. Antes da condenação de Bolsonaro, Lula declarou: “O governo vai trabalhar contra a anistia”. O presidente também pediu mobilização dos apoiadores para evitar o avanço da proposta, demonstrando preocupação com o risco de aprovação pelo Congresso.