A cúpula do PL pressiona para que Hugo Motta paute a urgência do projeto de anistia nesta semana na Câmara dos Deputados. Enquanto isso, Motta aposta no projeto do Senado, liderado por Davi Alcolumbre, que propõe redução de penas para os condenados pelo STF. O governo, por sua vez, tenta formar maioria para barrar a anistia e acelerou a liberação de emendas parlamentares.
A direção do PL acredita que Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados, não conseguirá evitar a votação do pedido de urgência do projeto de anistia nesta semana. O partido conta com o apoio da maioria dos líderes para aprovar a urgência, conforme afirmou Luciano Zucco, líder da oposição. “Ele prometeu que esse seria o primeiro item da reunião de líderes desta terça, ele irá cumprir sua promessa. E temos o apoio da maior parte dos líderes para votar a urgência”, declarou Zucco.
No entanto, a votação do mérito do projeto enfrenta obstáculos, pois ainda não há relator nem texto consolidado para análise dos partidos. O governo federal não quer que a proposta avance agora e, para isso, acelerou a liberação de mais de R$ 2 bilhões em emendas parlamentares na semana passada, buscando apoio suficiente para rejeitar a anistia que beneficiaria o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Enquanto isso, Hugo Motta prefere apostar em uma solução negociada com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. A proposta do Senado prevê a redução das penas dos condenados pelo STF, tanto do núcleo central dos envolvidos quanto da multidão que participou dos atos de 8 de janeiro de 2023. Motta avalia que, se a proposta do Senado for votada antes, ela pode ganhar prioridade e evitar uma anistia ampla, geral e irrestrita.
Bastidores e repercussão
Interlocutores de Hugo Motta afirmam que a estratégia é ganhar tempo e construir uma alternativa ao projeto de anistia ampla. A expectativa é de que o projeto do Senado, caso avance primeiro, possa limitar os efeitos da anistia e focar apenas na redução de penas para o núcleo central e os participantes dos atos de 8 de janeiro.
O governo, atento à movimentação do PL e da oposição, intensificou a articulação política e a liberação de recursos para garantir maioria contra a anistia. A disputa entre as duas Casas do Congresso e as diferentes estratégias adotadas por seus presidentes refletem o impasse em torno do tema e indicam que a solução pode passar por negociações entre Câmara e Senado.
Enquanto isso, a base governista mantém a resistência à proposta de anistia e aposta no desgaste político da oposição caso o tema não avance rapidamente. O desfecho deve depender do ritmo das negociações e da capacidade de articulação dos principais líderes envolvidos.