Política

Bolsonaristas rejeitam anistia light e pressionam Congresso por perdão total

Voto de Luiz Fux no STF intensifica mobilização por anistia ampla que inclua Bolsonaro e ameaça pressão sobre Alcolumbre e Motta

A proposta de uma anistia restrita aos réus do 8 de janeiro gerou forte reação entre bolsonaristas, que rejeitam excluir Jair Bolsonaro e outros aliados do perdão. O voto favorável do ministro Luiz Fux no STF, na quarta-feira (10), foi visto como oportunidade para pressionar o Congresso por anistia ampla. A família Bolsonaro e lideranças do PL rejeitaram qualquer solução que não beneficie o ex-presidente.

Disputa entre anistia ampla e anistia light

A discussão sobre anistia ganhou força após o voto do ministro Luiz Fux no Supremo Tribunal Federal (STF), que favoreceu o ex-presidente Jair Bolsonaro. Enquanto parte da oposição no Senado articula um projeto para perdoar apenas os envolvidos nos ataques de 8 de janeiro, bolsonaristas defendem anistia “ampla, geral e irrestrita” para incluir Bolsonaro e outros réus do julgamento do golpe.

Na quarta-feira (10), o senador Rogério Marinho (PL-RN) apresentou a proposta de anistia restrita ao líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), que, após consultar a família Bolsonaro, rejeitou a ideia. Apesar de Marinho negar a autoria, lideranças do PL confirmam que a sugestão foi feita.

A proposta de anistia light ganhou simpatia do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), aliado do ministro Alexandre de Moraes. Alcolumbre vê a medida como alternativa para reduzir a pressão por impeachment contra Moraes. No entanto, a família Bolsonaro insiste que o objetivo sempre foi proteger o ex-presidente, não apenas os réus do 8/1.

Bolsonaristas temem que a aprovação da anistia light enfraqueça a pressão dos Estados Unidos sobre o Brasil em relação ao julgamento de Bolsonaro. Segundo mensagens interceptadas pela Polícia Federal, Eduardo Bolsonaro alertou o pai que, caso a proposta restrita avance, o apoio internacional, como o de Donald Trump, pode cessar.

Paulo Figueiredo, aliado de Eduardo Bolsonaro nos EUA, declarou que, se o Congresso não aprovar a anistia ampla, haverá pressão por sanções e até destituição de Davi Alcolumbre e Hugo Motta, presidente da Câmara. Para os bolsonaristas, a anistia ampla é vista como essencial para “brecar o STF e resgatar a democracia”, enquanto a anistia light seria insuficiente para atender seus interesses.

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