Aliados de Jair Bolsonaro finalizam o texto da anistia ampla, geral e irrestrita. O grupo aceita negociar apenas a reversão da inelegibilidade do ex-presidente. Tarcísio de Freitas retorna a Brasília na próxima semana para pressionar o presidente da Câmara, Hugo Motta, a avançar no Congresso.
Negociações e articulações políticas
Nos bastidores, apoiadores de Bolsonaro trabalham para que a proposta de anistia inclua o ex-presidente, mantendo como único ponto de negociação a restituição de seus direitos políticos. Desde 2023, Bolsonaro está inelegível por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e seus aliados defendem que apenas esse aspecto pode ser debatido, enquanto os demais perdões devem ser mantidos até o final.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, é um dos principais articuladores do projeto e voltará a Brasília após o julgamento de Bolsonaro na trama golpista. Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, afirmou que Tarcísio estará na capital federal na próxima segunda-feira (15) para articular o avanço do projeto e cobrar de Hugo Motta uma data para votação.
O impasse permanece quanto à aceitação do texto pelo Senado. Recentemente, o senador Rogério Marinho sugeriu uma proposta que anistiaria apenas os condenados do 8 de janeiro, excluindo os líderes, mas a ideia foi rejeitada após consulta à família Bolsonaro. Davi Alcolumbre busca uma alternativa.
Mobilizações e pressão pública
Na semana passada, Tarcísio esteve em Brasília para conversas com aliados e com Hugo Motta, tentando destravar as negociações. No domingo (7), o governador de São Paulo discursou no ato da Avenida Paulista, organizado pelo pastor Silas Malafaia, defendendo anistia para os condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023 e por crimes contra a democracia.
Tarcísio também liderou um coro na manifestação, pressionando Hugo Motta a colocar o projeto em votação. Segundo o governador, “trazer a anistia para a pauta é trazer justiça. É resgatar o país.” Essas ações demonstram a estratégia dos aliados de Bolsonaro de mobilizar apoio público e político para viabilizar a anistia ampla no Congresso.