A CPMI que apura desvios em aposentadorias do INSS realizou sua sessão mais longa, com quase 10 horas de depoimento do ex-ministro Carlos Lupi.
O encontro foi marcado por discussões entre parlamentares e defesa enfática de Lupi, sem avanço em novas informações sobre os desvios investigados.
O presidente Carlos Viana avaliou a reunião como produtiva, apesar das contradições e tumultos registrados durante o depoimento.
Debates acalorados e clima tenso
A sessão da CPMI que investiga irregularidades no INSS foi marcada por intensos bate-bocas entre parlamentares da base e da oposição. O senador Jorge Seif (PL-SC) chegou a insultar e fazer gestos ofensivos a um deputado da base durante sua fala. O momento mais tenso ocorreu durante o questionamento do deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS) ao ex-ministro Carlos Lupi, que ficou sem resposta e gerou uma discussão de quase oito minutos.
O líder do governo na CPMI, Paulo Pimenta (PT-RS), acusou o relator Carlos Viana (Podemos-MG) de impedir que Lupi respondesse: “Não pode o relator fazer uma pergunta e o depoente não ter o direito de responder. O senhor não está deixando ele responder, é diferente”, protestou Pimenta.
Durante a confusão, Rogério Correia (PT-MG) e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) trocaram ofensas e quase chegaram às vias de fato, sendo contidos por outros parlamentares. Correia chegou a afirmar que o ex-presidente Jair Bolsonaro “vai ser preso”, simulando grades com as mãos. O tumulto levou à suspensão temporária da sessão para que Lupi conversasse com seu advogado, sendo retomada pouco depois.
Defesa de Carlos Lupi e próximos passos
Em sua defesa, Carlos Lupi negou omissão diante das denúncias e concentrou críticas no modelo de empréstimo consignado aos aposentados. Segundo ele, “quem entra para o consignado só tem porta de entrada, não tem de saída”, destacando o ciclo de endividamento dos beneficiários. Lupi defendeu o fim do desconto em folha para empréstimos, afirmando: “O grande desafio nisso, nobre Deputado, é acabar com o desconto em folha”.
O presidente da CPMI, Carlos Viana, confirmou a agenda das próximas sessões. Na quinta-feira (11), será ouvido o ex-ministro Ahmed Mohamad Oliveira Andrade, que atuou no final do governo Bolsonaro. Já na segunda-feira (15), está prevista a presença de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, e na quinta-feira seguinte (18), do empresário Maurício Camisotti, apontado como um dos líderes do esquema de desvios.