Economia

Opep+ decide elevar produção de petróleo a partir de outubro para recuperar mercado

Organização desacelera ritmo de aumento, mirando recuperação de fatia e respondendo a pressões internacionais

A Opep+ anunciou que irá ampliar a produção de petróleo a partir de outubro, em uma estratégia liderada pela Arábia Saudita para recuperar participação no mercado global.

A medida representa uma desaceleração no ritmo de aumento da produção em relação aos meses anteriores, refletindo preocupações com a demanda mundial.

A decisão surpreende diante da expectativa de excesso de oferta durante o inverno no hemisfério norte.

Motivações para o novo acordo

Desde abril, a Opep+ vinha ampliando gradualmente a produção de petróleo, após um longo período de cortes implementados para equilibrar o mercado. O novo acordo, anunciado agora, ocorre em meio a previsões de menor demanda e à possibilidade de superávit de oferta, especialmente durante o inverno do hemisfério norte.

Os aumentos deste ano refletem também uma tentativa da Arábia Saudita de punir membros como o Cazaquistão, que excederam suas cotas de produção. Paralelamente, os Emirados Árabes Unidos expandiram sua capacidade produtiva e passaram a buscar metas mais ambiciosas dentro do grupo.

No início do ano, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pressionou a Opep+ a elevar a produção de petróleo, buscando cumprir sua promessa eleitoral de reduzir o preço da gasolina no país.

Impactos no mercado e perspectivas

O aumento da produção provocou uma queda de cerca de 15% nos preços do petróleo ao longo do ano, levando os lucros das petrolíferas ao menor patamar desde a pandemia e resultando em dezenas de milhares de demissões no setor.

Apesar da retração, os preços do petróleo não despencaram, mantendo-se em torno de US$ 65 por barril. Esse patamar foi sustentado pelas sanções ocidentais impostas à Rússia e ao Irã, o que contribuiu para a decisão da Opep+ de continuar expandindo sua produção.

O cenário indica que o grupo seguirá atento ao equilíbrio entre oferta e demanda, monitorando os efeitos das sanções e das pressões políticas internacionais sobre o mercado global de energia.