Economia

Emirados Árabes deixam a Opep e enfraquecem bloco saudita

Saída anunciada sem consultar Riad ocorre em meio à guerra com o Irã e é celebrada por Trump como vitória política
Emirados Árabes Unidos saem da Opep: Trump celebra a saída em contexto de tensões regionais

Os Emirados Árabes Unidos anunciaram nesta terça-feira (28) sua saída da Opep e da Opep+, desferindo um golpe histórico ao grupo de produtores e ao seu líder de fato, a Arábia Saudita.

O ministro de Energia, Suhail Mohamed al-Mazrouei, confirmou a decisão à Reuters após o que chamou de análise cuidadosa das estratégias energéticas do país na região.

A ruptura ocorre enquanto a guerra com o Irã provoca um choque energético histórico e desestabiliza a economia global.

Membro de longa data da organização, os Emirados tomaram a decisão unilateralmente — sem consultar nenhum outro país, incluindo a Arábia Saudita. A revelação foi feita pelo próprio Mazrouei e sinaliza uma ruptura que vai além do simbólico: pode criar desordem e fragmentar a frente unida que a Opep busca projetar apesar de desacordos internos sobre cotas de produção e geopolítica.

Ormuz no centro da decisão

O contexto imediato é o bloqueio efetivo do Estreito de Ormuz, por onde normalmente transita um quinto do petróleo bruto e do gás natural liquefeito do mundo. Ameaças e ataques iranianos a embarcações na região vinham dificultando as exportações dos produtores do Golfo há meses.

As dificuldades de exportação dos Emirados pelo estreito vinham se agravando desde que o Irã rejeitou propostas de reabertura da passagem, impedindo o escoamento de um quinto do petróleo mundial.

Mazrouei minimizou o impacto da saída no mercado global, argumentando que a situação no estreito já limitava a capacidade exportadora do país de qualquer forma. Analistas, porém, alertam que a retirada enfraquece a capacidade da Opep de coordenar cortes e sustentar preços.

A decisão ocorre no contexto da crise energética que a Agência Internacional de Energia já classificou como a mais grave já registrada, superando os choques de 1973, 1979 e 2022 somados — cenário que torna ainda mais imprevisíveis os desdobramentos da saída emiradense.

Vitória política para Trump

A ruptura representa um ganho direto para o presidente dos EUA, Donald Trump, que acusava a Opep de explorar o mundo ao inflar os preços do petróleo. Trump chegou a vincular o apoio militar americano ao Golfo à política de preços da organização, afirmando que os EUA defendem os membros do grupo enquanto eles ‘exploram isso impondo preços altos’.

Os Emirados são um dos aliados mais importantes de Washington na região e um centro de negócios regional, o que dá peso político extra à decisão.

Descontentamento com os aliados do Golfo

A saída também expõe uma frustração mais profunda de Abu Dhabi com seus parceiros regionais. Anwar Gargash, conselheiro diplomático do presidente emiradense, criticou abertamente a resposta árabe e do Golfo aos ataques iranianos no Fórum de Influenciadores do Golfo, na segunda-feira.

‘Os países do Conselho de Cooperação do Golfo se apoiaram logisticamente, mas política e militarmente, acho que sua posição tem sido historicamente a mais fraca’, disse Gargash. Ele afirmou ter esperado a postura fraca da Liga Árabe, mas se disse surpreso com a omissão do próprio CCG.

A saída dos Emirados redefine o equilíbrio de forças no Oriente Médio em um momento em que as alianças regionais estão sob pressão máxima e o mercado global de energia busca qualquer sinal de estabilidade.

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