Os preços do petróleo alcançaram nesta terça-feira (28) o maior patamar em um mês após os Emirados Árabes Unidos anunciarem saída da Opep e da Opep+ a partir de 1º de maio — um dos maiores abalos ao cartel em décadas.
O Brent, referência internacional, chegou a US$ 112,53 o barril, maior cotação desde 27 de março. O WTI americano subia 3,65%, a US$ 99,89, no mesmo horário.
Decisão histórica após 58 anos no cartel
O ministro de Energia dos Emirados, Suhail Mohamed al-Mazrouei, confirmou a saída à Reuters e afirmou que a decisão foi tomada após análise detalhada das estratégias energéticas do país. Os Emirados integram a Opep desde 1967 — 58 anos de associação encerrados de forma unilateral e sem consulta prévia à Arábia Saudita ou a qualquer outra nação membra.
A ruptura se dá em meio ao conflito com o Irã, que gerou uma crise energética sem precedentes e afetou a economia mundial. Países do Golfo integrantes da Opep já enfrentavam dificuldades para exportar pelo Estreito de Ormuz — passagem por onde circula cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, alvo de ataques e ameaças de Teerã a navios da região.
O próprio Mazrouei relativizou o impacto da saída, argumentando que a situação no Estreito já limitava a capacidade de exportação dos Emirados. Ainda assim, o anúncio foi suficiente para acirrar a volatilidade nos mercados de commodities. Semanas antes, o petróleo já havia disparado 7% com o impasse entre EUA e Irã no Estreito de Ormuz, expondo a fragilidade das rotas de exportação no Golfo.
A saída enfraquece um grupo que historicamente projeta unidade mesmo com divergências internas sobre cotas de produção e alinhamentos políticos. A decisão dos Emirados expõe rachaduras que o cartel preferia manter longe dos holofotes.
Trump comemora; conselheiro dos Emirados critica aliados árabes
A saída dos Emirados é lida como vitória política para o presidente Donald Trump, que há anos acusa a Opep de \”roubar o resto do mundo\” ao elevar artificialmente os preços do petróleo. Trump também vinculou o apoio militar americano à região do Golfo ao comportamento do cartel, afirmando que os países da Opep \”exploram\” a proteção dos EUA com preços altos.
O conselheiro diplomático da presidência dos Emirados, Anwar Gargash, foi ainda mais incisivo. Em reunião no Fórum de Influenciadores do Golfo na segunda-feira, criticou a postura dos países árabes diante dos ataques iranianos: \”Os países do Conselho de Cooperação do Golfo se apoiaram logisticamente, mas política e militarmente, acho que sua posição tem sido historicamente a mais fraca.\”
Gargash disse estar surpreso especialmente com os parceiros do Golfo: \”Eu esperava essa postura fraca da Liga Árabe, e não me surpreende, mas não esperava isso do Conselho de Cooperação do Golfo.\”
A ruptura ocorre em contexto de escalada energética global. Quando o barril chegou a US$ 115 e acumulou a maior alta mensal desde 1990, as tensões internas da Opep já davam sinais de insustentabilidade — e a saída dos Emirados pode ser o primeiro capítulo de uma reconfiguração mais profunda no mercado global de energia.
