A OPEP+ decidiu neste domingo (5) ampliar a produção de petróleo em 188 mil barris por dia a partir de agosto de 2026, aproveitando o cenário de estabilização no Oriente Médio após o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã.
A resolução, tomada em reunião online, chega em um momento em que os preços da commodity já retornaram ao patamar pré-guerra, pressionados pela reabertura gradual do Estreito de Ormuz e pela queda das importações chinesas.
O colapso na oferta que antecedeu a decisão foi expressivo. Com a guerra envolvendo EUA, Israel e Irã, o Estreito de Ormuz foi bloqueado ao tráfego de petroleiros — atingindo diretamente grandes exportadores como Arábia Saudita, Kuwait e Iraque. A produção da OPEP+ despencou de 42,77 milhões de barris por dia em fevereiro para 33,13 milhões em maio, segundo dados do próprio grupo.
A recuperação começou a ganhar corpo em junho, impulsionada pelos esforços dos EUA para ajudar os Emirados Árabes Unidos e outros membros a retomar as exportações. Ainda assim, a produção permanece abaixo dos níveis anteriores ao conflito.
O memorando de entendimento entre Washington e Teerã — firmado para encerrar a guerra — foi decisivo para convencer os investidores de que a oferta voltaria ao normal. Quando o acordo foi anunciado, em 14 de junho, o Brent chegou a cair 4% em um único dia com a perspectiva de reabertura do Estreito em até 30 dias — o mesmo processo que agora sustenta a expansão da OPEP+.
Apesar da queda na oferta física, os preços já haviam voltado ao patamar pré-guerra antes da retomada plena da produção. A pressão baixista veio da redução das importações chinesas, do crescimento das exportações de produtores fora do Oriente Médio e de uma liberação coordenada de estoques estratégicos pela Agência Internacional de Energia. Em 25 de junho, o Brent havia recuado a US$ 73, praticamente no nível anterior ao conflito — indicando que o mercado absorveu a reabertura do Estreito com velocidade maior do que analistas previam.
O grupo ainda enfrenta desafios internos na gestão da oferta. A saída dos Emirados Árabes Unidos da aliança, em 1º de maio, e os pedidos do Iraque por cotas maiores complicam a aritmética dos cortes acordados em 2023.
Os sete principais membros que participam da gestão mensal da produção — Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Argélia, Cazaquistão e Omã — vêm revertendo gradualmente um corte de 1,65 milhão de barris por dia acordado em 2023. Com a saída emiradense, esses países ainda têm cerca de 379 mil barris por dia do corte original para devolver ao mercado a partir de agosto, de acordo com cálculos da Reuters.
A reversão total dos cortes de 2023 está próxima. Se o grupo aprovar um aumento de volume semelhante para setembro — pauta da próxima reunião, marcada para 2 de agosto —, encerrará o ciclo de restrições que durou quase três anos.
Os embarques do Golfo Pérsico já superaram 10 milhões de barris por dia em junho, mas ainda representam 40% menos do que o nível pré-guerra — contexto que explica por que o grupo opta por aumentos graduais em vez de abrir as torneiras de uma vez.
