O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), líder do partido na Câmara, criticou neste domingo (7) a participação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, em ato pró-anistia na avenida Paulista. Segundo Lindbergh, Tarcísio agiu como “advogado de Bolsonaro” e atacou o Supremo Tribunal Federal durante discurso no evento.
A manifestação reuniu apoiadores de Jair Bolsonaro e defendeu o perdão aos condenados pelos ataques de janeiro de 2023 às sedes dos Três Poderes.
Discurso e repercussão
Durante o ato na avenida Paulista, Tarcísio de Freitas discursou em um carro de som, questionando as provas contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e afirmando que não houve crime em 8 de janeiro de 2023. Ele pediu ao presidente da Câmara, Hugo Motta, que pautasse a proposta de anistia aos condenados pelos ataques às sedes dos Três Poderes. O evento contou com a presença de apoiadores do ex-presidente e teve como principal pauta a defesa do perdão aos envolvidos nos atos antidemocráticos.
O líder do PT, Lindbergh Farias, afirmou em rede social que a postura de Tarcísio representa um “ataque frontal ao STF”, especialmente durante o julgamento de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. Lindbergh destacou a fala do governador: “Ninguém aguenta mais a tirania de um ministro como o Alexandre de Moraes”, e avaliou que a atitude pode configurar coação no curso do processo, tentando intimidar o ministro relator.
Na última semana, Tarcísio intensificou articulações para destravar a proposta de anistia no Congresso, reunindo-se com o presidente da Câmara, Hugo Motta. O governo federal aponta o governador como um dos principais articuladores do perdão, posição rejeitada pelo Palácio do Planalto.
Em entrevista à GloboNews, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que Tarcísio “pressiona o Congresso” para aprovar a anistia.
Reações e críticas
Nas redes sociais, Lindbergh Farias reforçou que a anistia defendida por Tarcísio “só serviria para consagrar a impunidade e a continuidade do golpe”. O deputado afirmou ainda que o governador “não age como governador, mas como advogado de Bolsonaro”.
Lindbergh declarou: “Quem ataca ministros e defende anistia para conspiradores não luta por liberdade: legitima o crime, sabota a Justiça e abre caminho para novos atentados contra a democracia”.
O posicionamento do governador de São Paulo tem gerado críticas do governo federal e de parlamentares, que veem na articulação pela anistia uma tentativa de pressionar o Congresso e o STF em meio ao julgamento de Jair Bolsonaro.