O Banco Central rejeitou a aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), encerrando uma negociação de quase seis meses. O anúncio da decisão fez as ações do BRB despencarem no mercado. O BRB comunicou que solicitou a íntegra da decisão do BC e manterá acionistas e o mercado informados sobre os próximos passos.
Operação polêmica e veto do Banco Central
O processo de compra do Banco Master pelo BRB, iniciado em março com a aprovação do conselho do banco público para adquirir 58% do capital do Master por cerca de R$ 2 bilhões, enfrentou obstáculos desde o início. O Master, liderado por Daniel Vorcaro, era visto como uma instituição de alto risco, com captação cara e investimentos arriscados, mesmo após divulgar lucro de R$ 1 bilhão em 2024. O passivo concentrado em CDBs de curto prazo aumentava as dúvidas quanto à solidez do banco.
A operação foi alvo de questionamentos do Ministério Público do DF e do Ministério Público de Contas, que solicitaram acesso ao processo e esclarecimentos sobre a compra. O Ministério Público Federal abriu investigações para apurar possíveis crimes financeiros e acompanhar o papel do Banco Central.
Em maio, o Tribunal de Justiça do DF barrou a assinatura do contrato, alegando falta de aprovação da assembleia de acionistas e autorização legislativa. Posteriormente, a decisão foi revertida em segunda instância, liberando o BRB para seguir com o acordo.
Aprovação do Cade e sanção legislativa
Em junho, o Cade aprovou a operação sem restrições, apontando que não haveria riscos à concorrência, já que a participação combinada dos bancos era inferior a 20% nos principais segmentos. Em agosto, após nova decisão judicial contrária, o governo Ibaneis Rocha enviou à Câmara Legislativa projeto de lei autorizando a compra, aprovado e sancionado rapidamente, permitindo ao BRB adquirir até 49% das ações ordinárias e 100% das preferenciais do Master.
Pressões políticas e repercussão
A tentativa de compra gerou forte reação política, com críticas de grupos do Congresso e da Câmara Legislativa do DF. O deputado Fábio Felix (PSOL) pediu ao Banco Central a suspensão da operação, citando a relação do Master com a REAG Investimentos, investigada na Operação Carbono Oculto por lavagem de dinheiro do PCC.
Líderes do Centrão pressionaram o Banco Central, apresentando projeto para permitir ao Parlamento destituir diretores do órgão. O diretor Renato Gomes, do BC, foi alvo de críticas por exigir análise rigorosa e garantias sólidas do Master.
Após o veto do BC, BRB e Master afirmaram aguardar acesso à decisão para avaliar fundamentos e alternativas. O BRB reforçou que via a operação como estratégica para o banco, seus clientes e o Sistema Financeiro Nacional. O Master, por sua vez, destacou sua confiança na estratégia e na atuação em um mercado concentrado.