O Banco de Brasília (BRB) informou nesta sexta-feira (5) que ainda não teve acesso ao processo que fundamentou a decisão do Banco Central do Brasil (BC) de reprovar a compra do Banco Master.
Segundo comunicado ao mercado, o BRB avaliará as alternativas cabíveis apenas após obter todos os documentos do BC. O anúncio foi feito após notícias sobre uma possível desistência de recurso contra o veto.
Na quarta-feira (3), o BRB já havia solicitado ao BC a íntegra da decisão para analisar tecnicamente as opções disponíveis.
Decisão do Banco Central e contexto político
A reprovação da compra do Banco Master pelo BRB foi anunciada após mais de cinco meses de análise, mesmo com o BC ainda tendo quase um ano de prazo para concluir a avaliação. A decisão ocorreu um dia após líderes do Centrão na Câmara dos Deputados apresentarem um pedido de urgência para um projeto de lei que permitiria ao Legislativo demitir diretores do BC, em requerimento feito pelo deputado Claudio Cajado (PP-BA).
O movimento foi interpretado como pressão política para aprovação do negócio, já que o dono do Banco Master é bem relacionado com os líderes do Centrão, segundo análise de Miriam Leitão. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, manifestou preocupação com o projeto, afirmando: “[Vejo] com preocupação, porque não foi conversado conosco, com o governo de uma maneira geral. E eu imagino que nem com o Banco Central […] Eu realmente não vejo nenhuma razão para esse projeto, não vejo nenhum motivo para ele caminhar”.
Haddad defendeu a autonomia administrativa do BC, mas se posicionou contra a transformação da instituição em pessoa jurídica de direito privado, como prevê a PEC 65/2023. Ele destacou ainda a necessidade de orçamento próprio para o BC fortalecer sua área regulatória.
Estratégia do Banco Master e novas regras do FGC
O Banco Master expandiu sua atuação nos últimos anos com uma estratégia de captação considerada arriscada por analistas. A instituição oferecia CDBs com taxas muito acima das praticadas por outros bancos, atraindo investidores ao se apoiar na proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
O FGC protege até R$ 250 mil por investidor em caso de falência de um banco associado, sendo um fundo privado formado pelas próprias instituições financeiras. Essa proteção torna o investimento mais seguro, mas também incentiva estratégias de captação agressivas.
Preocupados com o risco moral dessas práticas, o BC e o Conselho Monetário Nacional aprovaram no mês passado novas regras para o FGC, visando reduzir riscos de instituições excessivamente alavancadas. A norma entra em vigor em 1º de junho de 2026, com período de adaptação.
Além disso, o modelo de negócios do Master inclui investimentos em ativos de baixa liquidez, como precatórios e participações em empresas, o que gerou dúvidas no mercado sobre a saúde financeira do banco.